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Energia e fornecimento de gás – relações entre Brasil, Argentina e Bolívia

Sexta-feira, 02 de Maio de 2008
Categoria(s): Energia, Notí­cias, Usinas
|-> Publicado por: Maurí­cio Machado

Brasil vai ceder até 1,5 mil megawatts de energia para a Argentina

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

O Brasil vai repassar no máximo 1,5 mil megawatts de energia para a Argentina até agosto deste ano. O mínimo a ser repassado é de 800 megawatts.

A quantidade de energia que será transferida para o país vizinho foi determinada hoje (2) em reunião entre o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e o ministro do Planejamento, Investimentos e Serviços da Argentina, Julio De Vido.

O encontro serviu para firmar um acordo de entendimento entre os dois países sobre o intercâmbio de energia elétrica, para atender à demanda provocada pelo inverno da Argentina.

A energia cedida ao país vizinho será proveniente principalmente de térmicas a gás e de hidrelétricas, com exceção da que é produzida na Usina de Itaipu, que só pode fornecer energia para o Brasil e para o Paraguai.

Segundo Edison Lobão, a Argentina irá pagar pela energia recebida ou devolvê-la ao Brasil no final do ano. “A energia não vai fazer falta para o Brasil e precisamos ajudar os nossos irmãos argentinos.”

O ministro argentino disse que, inicialmente, o país vai solicitar cerca de 800 megawatts ao Brasil, e que o aumento da quantidade vai depender do rigor do inverno. “Quanto mais cruel for o inverno, mais vai subir a oportunidade de solicitar essa ajuda”, afirmou.

Ele disse que a transferência de energia é uma decisão estratégica dos presidentes dos dois países e que o o sistema elétrico argentino está muito demandado por causa do crescimento da economia. Julio De Vido afirmou também que o governo argentino está aumentando em 1,1 mil megawatts a capacidade de geração do país, com a inauguração de quatro turbinas.

“Assim, vamos ter uma capacidade de oferta interna maior e, quando vier a etapa de devolução, durante a primavera, vamos ter condições de devolver ao sócio [Brasil] o volume de energia que será cedido na fase mais crítica da nossa demanda”, explicou.

O intercâmbio de energia foi determinado por uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicada na última terça-feira (29) no Diário Oficial da União. O texto diz que o preço pago por cada país seguirá o valor vigente no mercado internacional.

No encontro de hoje, os ministros também trataram da construção de hidrelétricas nos dois países e do aproveitamento do trecho internacional do Rio Uruguai.

 

Bolívia garante fornecimento de gás para Brasil e Argentina depois de novas nacionalizações

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil
(Com informações da agência Telam)

O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, garantiu hoje (2) a manutenção do abastecimento de gás natural ao Brasil e à Argentina, seus dois principais mercados de exportação, mesmo depois da retomada do controle acionário pelo governo de quatro empresas petrolíferas, anunciadas ontem pelo presidente Evo Morales.

“Garantimos o abastecimento externo e interno, porque a decisão de tomar o controle das companhias petrolíferas é uma decisão planejada”, disse Villegas, segundo informações da agência de notícias argentina Telam.

Villegas também assegurou que não haverá “interrupção nenhuma”, uma vez que a nacionalização é parte de “políticas globais que respondem à política estratégica para hidrocarbonetos”.

Ontem, o presidente boliviano, Evo Morales, tornou, por decreto, o governo acionista majoritário de três petrolíferas, capitalizadas há uma década: Chaco (operada pela Pan American Energy, associada à British Petroleum), Transredes (do fundo britânico Ashmore e do grupo Shell), e a Companhia de Logística de Hidrocarbonetos (de capital alemão e peruano).

Também por decreto, mas por meio de um acordo com a Repsol, o governo boliviano obteve 51% das ações da empresa Andina, filial da hispano-argentina Repsol-YPF.

As empresas petrolíferas ainda não se pronunciaram oficialmente, depois da nacionalização decretada por Evo Morales. Hoje a Bolívia é o segundo país em reservas de gás natural (atrás da Venezuela), com cerca de 1,36 bilhões de metros cúbicos de gás em reservas já provadas e reservas estimadas. O país produz uma média de 40 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Desses, 30 milhões são exportados para o Brasil e o restante é repartido entre a Argentina e o consumo interno boliviano.

Agência Brasil



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