Esforço da China para reverter sua elevada poluição

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Esforço da China para reverter sua elevada poluição

China e sua “lista negra”
O governo chinês divulgou recentemente uma lista que apresentava um total de 39 cidades no país onde tinha um nível de poluição considerado grave, sendo que sete delas são do nordeste do país que tem a economia baseada altamente no setor industrial.

Com o plano de reduzir o índice de poluição, novamente a China fez uma lista em que incluiu, ou melhor, excluiu 30 empresas altamente poluidoras. Quando citamos o termo “excluir”, referimos sobre a punição que essas empresas poluidoras receberam, pois não poderão ser financiadas por empréstimos bancários.

Dentre as indústrias listadas estão fabricantes de bebidas, comida, aço e papel. A lista publicada pela Agência do Estado para Proteção Ambiental não divulgou se as empresas poderão recorrer a decisão.

O governo chinês já havia informado que teria cooperação de órgãos reguladores do setor financeiro e também do Banco Central chinês para bloquear acesso a créditos de empresas que apresentassem elevada taxa de poluição.

Essa talvez seja uma tentativa desesperada para mudar o atual quadro do país que abriga 16 das 20 cidades mais poluidoras de todo planeta, onde centenas de milhares de pessoas morrem todos os anos, vítimas de doenças causadas pela elevada poluição e ainda apresenta o triste dado de que 60% das cidades não têm tratamento de esgoto de qualidade, além de também sofrer regularmente com a poluição do ar.

Porém muitos especialistas não vêem perspectiva adequada na criação da nova lista negra, pois isso não diminuirá a poluição já que o desenvolvimento econômico não é superado por preocupações ambientais quando estas tendem a afetar indústrias.

De acordo com uma pesquisa do Banco Mundial, o prejuízo total que a poluição causa para a China representa cerca de 5,8% do Produto Interno Bruto do país. Inclui-se no cálculo gastos médicos de pessoas vítimas de doenças relacionadas à poluição, perdas na produtividade agrícola devido às secas intensas ou enchentes, entre outros desastres ambientais influenciados pela elevada poluição já que a emissão de gás carbônico, por exemplo, intensifica o efeito estufa.

Se a poluição traz o grande prejuízo de 5,8% do PIB da China, poderiam investir todo esse valor em fontes alternativas de energia e assim não teriam mais este prejuízo com a poluição e seriam obtidas imensas vantagens de preservação ambiental e qualidade de vida, ao invés de simplesmente fazer lista negra de empresas, pois isso sim prejudica o desenvolvimento do setor industrial e afeta a economia.

Assim como já vimos no artigo “Poluir menos não significa prejudicar a economia” as indústrias devem continuar funcionando, mas ecologicamente corretas. Para isso a cidade precisa ter uma infra-estrutura adequada para suportar essas fábricas, fornecendo tratamento de esgoto, coleta seletiva de lixo, reciclagem e o mais importante, é ter geração de energia limpa, com fontes como eólica e solar, para distribuir energia necessária para o funcionamento adequado do setor industrial e sem emitir gases poluentes como o gás carbônico.

Destaque para esforços da China na área ambiental
Lago Qinghai - maior lago da ChinaEm visita ao lago Qinghai, o maior lago da China, o secretário americano e ambientalista Henry Paulson destacou e apoiou a determinação da China para diminuir a degradação ao meio ambiente. O lago vem sofrendo uma redução em seu volume por causa do aumento da temperatura.

E não é apenas a redução de lagos como problema ambiental que a China está enfrentando, pois com o fortalecimento do setor industrial, o país é o maior emissor de gás carbônico e assim como já abordamos acima, há problemas na saúde das pessoas, perda em produtividade agrícola e impactos sofridos por desastres ambientais devido às mudanças climáticas que são intensificadas pela emissão de gases causadores do efeito estufa, como o gás carbônico.

Apesar disso, Paulson, que já foi presidente do grupo The Nature Conservancy, afirmou ter se impressionado com o programa custeado pelo governo chinês que visa recuperar áreas perdidas para a desertificação por meio do plantio de vegetação em dunas de areia e em áreas que antes eram usadas para cultivo agrícola.

Paulson ainda falou sobre a importância mundial do lago Qinghai e as geleiras do platô tibetano para o clima já que a redução do lago e derretimento das geleiras provocaria uma alteração que poderia ser até permanente nas correntes de ar, o que causaria fenômenos climáticos violentos em outros continentes como aumentando a quantidade de furacões.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

  1. fernanda
    fernandaago 26, 2008

    se a poluição traz o grande prejuizo de 5,8 do pib da china ,poderia investiur todo eese valor em fonte

  2. Maurí­cio Machado
    Maurí­cio Machadoago 26, 2008

    Olá Fernanda. Você tem total razão: se a poluição está causando um prejuízo de 5,8% do PIB da China, todo esse valor deveria ser investido, por exemplo, em fontes de energia renováveis e limpas.

    O que ocorre, é que muito trabalho é necessário para reverter essa situação, o que poderia provocar até uma desaceleração no crescimento da China. Então, mesmo apesar dos grandes prejuízos que a poluição provoca, eles ainda preferem não resolver essa questão a fundo.

    Mas sem dúvida, com uma pressão governamental de outros países e da própria população da China, o país terá a necessidade de passar a investir na preservação ambiental visando o desenvolvimento sustentável.

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