

Especialistas debatem em Recife estratégias para conter desmatamento da caatinga
Terça-feira, 20 de Novembro de 2007
Categoria(s): Desenvolvimento sustentável, Desmatamento, Florestal, Notícias, Preservação
|-> Publicado por: Maurício Machado
Marcia Wonghon
Repórter da Agência Brasil
Representantes de universidades públicas e de instituições ligadas ao meio ambiente debatem até sexta-feira (23), na capital pernambucana, alternativas para barrar o desmatamento na Floresta da Caatinga, por meio do incentivo a práticas de manejo florestal. O evento é promovido pelo Programa Nacional de Florestas, do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Rede de Manejo Florestal da Caatinga.
Segundo o diretor do programa, Leonel Pereira, uma das preocupações é que 35% das indústrias da região utilizam a lenha da caatinga como matriz energética nos processos de produção, sem se preocupar com a recuperação da vegetação degradada. Ele informou que mais de 90% do material consumido é obtido de forma ilegal, por meio de desmatamento, na maioria das vezes não autorizado. “Esse tipo de procedimento associado à pastagem intensiva acaba ameaçando a existência do bioma”, disse.
Leonel Pereira destacou que no encontro estão sendo apresentadas experiências bem-sucedidas adotadas em alguns estados sobre o uso sustentável da lenha da caatinga e de outros produtos não madeireiros, a exemplo de polpa de umbu, fibras, óleos, plantas medicinais e raízes comestíveis. Segundo ele, falta capacitação para que as pessoas possam valorizar a caatinga e conservar os recursos naturais.
De acordo com Pereira, o seminário é importante para que se estabeleça um programa de treinamento de pessoal, que apoiará o manejo sustentável do bioma. “O desafio é conseguir agilidade na aprovação de planos de manejo dos recursos florestais e ter pessoas treinadas no campo, para disseminar conhecimentos, pondo em prática os projetos”, observou.
O superintendente regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), João Arnaldo Novaes, afirmou que a expectativa é de que os participantes do seminário possam apontar propostas para garantir que o manejo florestal da caatinga seja efetivado com maior eficiência.
“Esperamos que, a partir das conclusões desse evento, possam ser implementadas políticas públicas que irão resultar no uso sustentável da caatinga, gerando mais emprego, renda e desenvolvimento na economia do Nordeste”.
Segundo Francisco Campelo, do Programa de Conservação do Uso Sustentável da Caatinga, uma alternativa para compatibilizar a conservação da biodiversidade da caatinga com a necessidade de fontes energéticas é o uso sustentável dos recursos florestais, por meio de planos de manejo.
“Engenheiros florestais que disponibilizam assistência técnica nos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra, em Pernambuco, vão receber, para depois repassar, orientações sobre potencial de utilização dos recursos florestais com base na geração de renda, visando atender ao mercado energético”, disse.

