Esperança de encontrar vida em outros planetas

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Esperança de encontrar vida em outros planetas

24 de abril de 2007 – 20:12

Descoberto planeta habitável fora do Sistema Solar

Os cientistas acreditam que a temperatura deve variar entre 0º e 40º C, o que torna provável que ele tenha água líquida, componente fundamental para a vida

Giovana Girardi e Carlos Orsi

SÃO PAULO – Astrônomos da França, Suíça e Portugal anunciaram nesta terça-feira, 24, que localizaram o planeta extra-solar mais parecido com a Terra observado até hoje, e que tem possibilidade de abrigar vida.

Com cinco vezes a massa da Terra, este é o menor planeta já encontrado – tem raio 50% maior que o terrestre -, é provavelmente rochoso ou coberto de oceanos e se localiza na chamada zona habitável, isto é, fica a uma distância de sua estrela que faz com que ele não seja nem frio nem quente demais.

Os cientistas acreditam que sua temperatura deve variar entre 0º e 40º C, o que torna provável que ele tenha água líquida na superfície, componente fundamental para a existência de vida. Entretanto, provavelmente seria bem diferente da que temos por aqui. A massa maior significa uma gravidade também maior, explica ao Estado Stéphane Udry, do Observatório de Genebra, que liderou o estudo. “Agora se isso é bom ou ruim para a existência de vida não dá para dizer. Nós nem sabemos direito como a vida se formou na Terra”, diz.

“Este planeta será provavelmente um importante alvo para futuras missões espaciais dedicadas à procura por vida extraterrestre. No mapa do tesouro do Universo, é tentador marcar este planeta com um X”, afirmou Xavier Delfosse, pesquisador francês da equipe que fez a descoberta, em comunicado à imprensa.

O planeta, no entanto, orbita uma estrela anã tipo M, ou anã vermelha, muito mais fraca que o Sol. Pesquisadores envolvidos na busca por vida fora da Terra costumavam desprezar vizinhanças assim. O raciocínio era de que um planeta, para se manter na zona habitável, teria de ficar muito perto da estrela anã, com efeitos que inviabilizariam a vida. “Mas isso foi reconsiderado já há alguns anos”, diz Xavier Bonfils, do Observatório de Lisboa, que também tomou parte na descoberta.

“A habitabilidade de planetas orbitando estrelas anãs tipo M foi, coincidentemente, tema de uma edição recente da Astrobiology Magazine, e os autores de um artigo publicado nessa revista mostram que a vida no planeta que descobrimos é, de fato, possível”, afirma o pesquisador.

Bonfils reconhece, porém, que ainda se sabe muito pouco sobre o sistema de Gliese 581, a estrela em torno da qual o planeta foi encontrado, e que a descoberta representa apenas “um lugar para olhar, quando se procurar por vida”. A descoberta terá algum impacto no cálculo da probabilidade de haver vida inteligente fora da Terra? “Não sei”, responde o cientista.

Já Seth Shostak, do Instituto SETI – que coordena esforços de busca por sinais de rádio emitidos por inteligências de fora da Terra, como o SETI@home – diz que a descoberta é uma “boa notícia”, porque sugere que planetas semelhantes à Terra podem ser abundantes no Universo. “São esses planetas pequenos que consideramos os mais compatíveis com a vida”.

Shostak diz que os programas de busca do Instituto SETI já se voltaram para Gliese 581 duas vezes, em 1995 e 1997. “Embora não tenhamos encontrado nenhum sinal, vamos olhar de novo, possivelmente neste verão (do hemisfério Norte)”.

Outros mundos

Ao redor de Gliese 581, já havia sido detectado um planeta com massa parecida com a de Netuno (15 vezes a da Terra). Os astrônomos também têm evidências de um terceiro planeta, com massa de oito vezes a da Terra.

Na última década foram localizados mais de 200 planetas fora do nosso Sistema Solar, mas a maioria é mais parecida com os gigantes gasosos Júpiter e Saturno, onde é impossível haver vida como a conhecemos, do que com a Terra. Isso porque as técnicas usadas para detecção se baseiam na oscilação gravitacional que um planeta provoca em sua estrela. Essa força ocorre entre todos os corpos, mas é diretamente proporcional à sua massa. Assim planetas menores são difíceis de observar porque a força que exercem é relativamente pequena.

No entanto, uma série de peculiaridades do novo planetinha e da sua estrela acabaram ajudando os pesquisadores a encontrá-lo. Ele está muito perto da anã vermelha, tanto que leva apenas 13 dias para completar uma volta ao redor dela (contra os 365 dias da Terra em relação ao Sol). Isso aliado ao fato de ele, apesar de pequeno, ser pesado, acaba exercendo uma perturbação maior. “Quanto mais próximo ou mais massivo um planeta, maior o efeito na velocidade da estrela. Com um aparelho de alta precisão é possível encontrar os planetas menores”, explicou Udry. E esse tipo de máquina ele tinha.

Ele e sua equipe trabalharam com o espectrógrafo (aparelho com que se observa o espectro de luz) Harps, localizado no telescópio ESO, que fica no Chile. Ele é capaz de medir velocidades com a precisão de 1 m/s, ou 3,6 km/h. Com o Harps já havia sido possível encontrar 11 dos 13 planetas extra-solares já localizados com massas menores que 20 vezes a da Terra.

Igual, mas diferente

A descoberta, submetida à revista Astronomy and Astrophysics, apesar de ser interessante, deve ser vista com algumas ressalvas, pondera o astrofísico Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. Ele coordena a parte brasileira do projeto internacional que vai trabalhar com o satélite francês Corot, lançado no final de 2006 com a meta de encontrar planetas semelhantes ao nosso.

“De fato esse planeta é o mais parecido com a Terra até hoje descoberto, mas sua estrela é muito diferente do nosso Sol, o que pode complicar um pouco as coisas”, afirma. A Gliese 581 tem massa de um terço da do Sol, e apenas 2% da intensidade solar.

“Isso significa que a luz que ela emite deve ser de um vermelho muito escuro, que mal dá para ver. A temperatura que chega no planeta não deve ser muito alta, o que faz com que as reações químicas sejam mais lentas”, diz. “Acho que temos aqui motivo para festejar, mas planetas como o nosso, ao redor de sóis como o nosso, só o Corot deve encontrar. Esperamos que ainda neste ano.”

Estado de S. Paulo

Na notícia não foi explicado um dos objetivos das ininterruptas buscas dos cientistas para encontrarem vida extraterrestre. Não necessariamente com a idéia principal de observar novos microorganismos, ver a capacidade necessária para adaptar a vida nas condições analisadas, entre outras pesquisas que desejariam realizar, mas ainda com um outro objetivo bem maior. Trata-se da probabilidade de nós, seres humanos, nos adaptarmos em outros locais, ou ainda extrair recursos como a água para ideologicamente transporta-la ao nosso planeta. Idéia aparentemente absurda, mas se considerarmos todos os velozes avanços desde que o homem “pisou” na Lua, isso seria possível. Mas o que torna isso um absurdo é nas condições para se encontrar um planeta com diversos fatores que façam com que a água seja a necessária para ser utilizada por seres humanos, ou ainda condições bem mais específicas para adaptar equipamentos para pessoas viverem em outros planetas.

As idéias que estamos abordando são apenas objetivos teóricos, do ponto de vista de alguns pesquisadores que já esperam pelo pior, e isso sim há grandes probabilidades de ocorrer que se trata de que nosso planeta, devido a tantas alterações realizadas pelo homem, torne-se com condições cada vez mais complexas para haver vida humana, como aumento da temperatura e escassez de água. Então, como não seria mais possível reverter a situação aqui na Terra, estariam procurando um outro planeta para vivermos. Vamos completar este artigo, citando mais uma notícia relacionada e abaixo está o desenvolvimento desta ideologia e sua respectiva conclusão.

29 de maio de 2007 – 19:21

Pode haver bilhões de planetas habitáveis, dizem cientistas

Descobertas mais recentes elevam o total de planetas que estão fora do nosso Sistema Solar a 236, disseram pesquisadores em uma reunião em Honolulu, Havaí

Reuters

WASHINGTON – Cientistas que localizaram 28 novos planetas orbitando outras estrelas no último ano dizem que o nosso sistema solar está longe de ser único, e que pode haver bilhões de planetas habitáveis.

As descobertas mais recentes elevam o total de exoplanetas (planetas que estão fora do nosso Sistema Solar) a 236, disseram pesquisadores na segunda-feira, 28, em uma reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Honolulu, Havaí.

“Estamos começando a ver que nossa casa não é uma raridade no universo”, disse Geoffrey Marcy, professor de Astronomia na Universidade da Califórnia em Berkeley, que comandou a equipe.

“Somos facilmente capazes de detectar planetas gigantes, como Júpiter e Saturno, em torno de outras estrelas. A maioria orbita distante da estrela, como nossos próprios Júpiter e Saturno orbitam o Sol”, disse Marcy em entrevista por telefone. “É uma estrutura comum entre sistemas planetários.”

Novas técnicas permitem detectar planetas que não sejam enormes, embora objetos do tamanho da Terra ainda não possam ser vistos, disseram os pesquisadores, que divulgaram detalhes das suas conclusões (em inglês) no site exoplanets.org.

Quatro dos sistemas também têm múltiplos planetas, a exemplo do Sol, que tem oito planetas (Plutão foi “rebaixado”), além de objetos menores em sua órbita.

“Estamos descobrindo que a maioria das estrelas tem não um só planeta, mas que quando encontramos um existe um segundo, um terceiro ou um quarto”, disse Marcy.

“O atributo que realmente mais nos empolgou é este novo planeta que achamos há três anos”, disse Marcy. Esse planeta, que orbita a estrela Gliese 436 e é parecido com Netuno, intriga os cientistas porque parece estar coberto de água – embora seja dura como pedra e quentíssima, devido a pressões intensas que criam um estado químico não visto na Terra.

Neste mês, pesquisadores suíços e belgas fizeram imagens da estrela quando este planeta passava entre ela e a Terra. A pequena mudança na luz da estrela permitiu medições do diâmetro e densidade do planeta.

“Da densidade de dois gramas por centímetro cúbico – o dobro da água – ele deve ser 50% rocha, 50% água, com talvez pequenas quantidades de hidrogênio e hélio”, disse Marcy.

“Agora temos bastante certeza de que ele tem um núcleo rochoso e este gigantesco e grosso envelope de água”, acrescentou. “É a primeira vez que determinamos a estrutura de um desses planetas extra-solares. É rochoso como a Terra, mas tem muita água, que é um ingrediente essencial para a vida.”

Esse tipo de descoberta deve se multiplicar de agora em diante, segundo Marcy. Os cientistas passaram décadas teorizando, e agora as provas estão começando a aparecer.

“Nossa galáxia Via Láctea tem 200 bilhões de estrelas. Eu estimaria que 10% delas, talvez, tenham planetas que sejam habitáveis”, disse Marcy.

“Há centenas de bilhões de galáxias, todas mais ou menos como a nossa Via Láctea, o que representa dezenas de bilhões de planetas como o nosso.”

Há uma característica rara no nosso Sistema Solar: a órbita quase circular dos planetas, o que lhes dá uma dose consistente de radiação solar.

Outros sistemas já observados não costumam ser assim, pois têm planetas em órbitas elípticas (alongadas).

“Nós desfrutamos de temperaturas quase constantes ao longo do ano. Se a Terra chegasse perto demais do Sol, a Terra se aqueceria, a água evaporaria, e isso seria ruim”, explicou ele. Longe demais do Sol, a água do planeta congelaria. “Uma órbita alongada não poderia sustentar vida”, disse Marcy.

Estado de S. Paulo

Como já comentamos acima, não basta apenas ter água para haver vida, e sim um conjunto de fatores que devem ocorrer constantemente para manter-se vida no módulo que conhecemos em nosso planeta, e, além disso, o próprio estado da água deve favorecer a vida, e em outros planetas como publicado na notícia, há água, porém em estados físicos diferentes, inclusive vejam que interessante o trecho em destaque:

“O atributo que realmente mais nos empolgou é este novo planeta que achamos há três anos”, disse Marcy. Esse planeta, que orbita a estrela Gliese 436 e é parecido com Netuno, intriga os cientistas porque parece estar coberto de água – embora seja dura como pedra e quentíssima, devido a pressões intensas que criam um estado químico não visto na Terra.

É um estado físico da água completamente desconhecido para nós que vivemos na Terra, pois a água é dura como pedra e extremamente quente. Aqui conhecemos água líquida a temperatura ambiente, e em temperaturas quentíssimas como é informada na notícia a água está em estado gasoso, e para água ser dura é necessária estar a baixas temperaturas, para se congelar. Agora, quente e dura, isso é diferenciado e que anula iniciais probabilidades de vida, já que água muito dura e quente torna-se inviável para consumo. A menos que descubram espécies que se adaptaram teoricamente a essas condições analisadas, e que serviria como estudo.

Além disso, como destacado na notícia, é necessária a órbita dos planetas serem circulares para receber constante radiação solar e manter condições constantemente semelhantes, e como isso é uma característica rara no nosso Sistema Solar, já que outros planetas possuem órbitas alongadas (elípticas), faz com que em um determinado momento recebam mais fonte de calor e em outro momento receber baixa fonte de calor de sua estrela (em que orbita). Imagine uma espécie ter de sofrer mutações a cada determinado intervalo de tempo que pode ser bem menos de um ano, para se adequar a constantes variações como de temperatura, luminosidade, gases, entre muitas outras e manter-se viva em um planeta com órbita alongada. É extremamente difícil. Logo, a idéia de encontrar vida extraterrestre é muito pequena, já que é como procurar um grão de areia (comparando com a busca pela vida dentro de um planeta) em uma grande piscina, completamente cheia de água (comparando com todo o universo).

Mesmo os aparelhos para esse tipo de busca estarem sempre em melhorias, se encontrar um planeta tão semelhante como a Terra em que possa se estabelecer vida humana ou aproveitar algum recurso de matéria, será tão distante, que será impossível chegar ao mesmo.

Então concluímos que a manchete: “Pode haver bilhões de planetas habitáveis, dizem cientistas”, é algo errôneo, pois a característica que consideram para estes planetas serem habitáveis é de apenas terem água, nem mesmo importando com o estado físico desta matéria ou a trajetória orbital deste planeta. E “pode haver”, pois é uma probabilidade baseada que se há 200 bilhões de estrelas com o “modelo” da nossa estrela “Sol”, e levando em consideração que em cada estrela é possível encontrar mais de um planeta, então pode ser que em 10% da órbita dessas estrelas tenha planetas com água em algum estado físico. Então, troquem o título da manchete por: “Pode haver bilhões de planetas com água em algum estado físico”.

Logo é melhor investir em soluções para o conter o aquecimento global e diminuir a degradação ao meio ambiente que afetam recursos naturais do que encontrar um outro país com condições para vida ou com matérias que possamos utilizar.

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

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