Estudo mostra cenários para o Nordeste brasileiro até 2050

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Estudo mostra cenários para o Nordeste brasileiro até 2050

Estudo mostra cenários para o Nordeste brasileiro até 2050

Da Agência Brasil

Será divulgado hoje (26) o estudo Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro 2000-2050. O levantamento foi elaborado para a Embaixada Britânica pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

É o primeiro estudo feito no mundo que envolve, em uma visão integrada, as variáveis demográfica, econômica e climática para explicar cenários futuros. O trabalho mostra que a escassez de alimentos vai depender da capacidade de resposta do governo e das instituições em transferir renda para os habitantes do Nordeste.

Um dos cenários previstos é a limitação da disponibilidade de terras para a agricultura, com repercussão negativa sobre a saúde da população.

A pesquisa será lançada durante o 1º Seminário sobre Mudanças Climáticas: Implicações para o Nordeste, no Centro de Treinamento Passaré, em Fortaleza.

 

Estudo prevê menos áreas para plantio e saúde pior no Nordeste em função de mudanças do clima

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

A escassez ou limitação da disponibilidade de terras para a agricultura,  com  repercussão negativa sobre a saúde da população, é um dos cenários traçados para o Nordeste brasileiro por um estudo elaborado para a Embaixada Britânica pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pelo Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo informou o coordenador da equipe do Cedeplar/UFMG, Alisson Barbieri, a pesquisa Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro-2000-2050 mostra que “a escassez de alimentos vai depender da capacidade de resposta do governo e das instituições de transferir renda para os habitantes do Nordeste”.

Esse é o primeiro estudo realizado no mundo que envolve em uma visão integrada as variáveis demográfica, econômica e climática para explicar cenários futuros, disse o professor. As mudanças climáticas em curso no planeta tendem a afetar com maior intensidade, no Brasil, as populações mais vulneráveis a esses fatores, que estão localizadas sobretudo no Nordeste do país, incluindo os migrantes.

Daí, o estudo  sinalizar para a urgência de que se comece a pensar em programas ou políticas de adaptação  que atendam essas populações mais vulneráveis e minimizem os impactos das mudanças do clima, disse Barbieri. Essas adaptações abrangeriam várias vertentes. Uma delas seria o investimento em tecnologia para adaptação dos cultivos agrícolas à nova realidade. Outro mecanismo diz respeito ao papel do estado, através dos programas de transferência de renda.  Outras alternativas teriam cunho econômico local.

“Basicamente, essas seriam três respostas em termos de adaptação muito forte nesse cenário futuro até 2050”, enfatizou Barbieri. Os mecanismos, além de garantir a subsistência da população, poderiam dar condições para sua manutenção na própria região, evitando, ou pelo menos minimizando, a migração dos nordestinos, sobretudo para o Sudeste do país.

O coordenador da pesquisa destacou que a limitação do potencial de produção agrícola nessas regiões teria, eventualmente, impacto sobre a renda e o nível de emprego. E, em conseqüência, sobre a disponibilidade de aquisição de alimentos. No que diz respeito à saúde, o estudo demonstra que deve aumentar a vulnerabilidade de algumas populações em função do ressurgimento de algumas doenças transmitidas por vetores, como a leishimaniose, e doenças que afetam principalmente crianças, pela contaminação de água e a falta de saneamento.

 

Mudanças climáticas podem reduzir economia do Nordeste em até 11% até 2050

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

As mudanças climáticas terão efeito sobre a economia brasileira, especialmente a do Nordeste, de acordo com o estudo Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro- 2000/2050. O estudo foi elaborado para a Embaixada Britânica pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Esse efeito, medido ano após ano, sinaliza que o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste vai cair 11,4% até 2050, como resultado das variações do clima. O PIB  é a soma das riquezas produzidas no país. “Ano após ano, até 2050, o efeito  das mudanças climáticas, por meio do choque no setor agropecuário, seria uma queda  de 11,4% do PIB”, afirmou à Agência Brasil o professor Alisson Barbieri, coordenador da pesquisa pelo Cedeplar/UFMG.

De acordo com o estudo, essa perda equivaleria a dois anos de crescimento econômico da região, com base no desempenho registrado entre 2000 e 2005.

A pesquisa mostra que a redução que as mudanças climáticas tendem a provocar na disponibilidade de terras agricultáveis no Nordeste será mais drástica nos estados do Ceará (-79,6%) e Piauí (-70,1%), seguidos da Paraíba (-66,6%) e de Pernambuco (-64,9%). Barbieri esclareceu que no caso do Ceará e Piauí deve ocorrer limitação das chamadas “terras aptas” para os principais tipos de cultivo na região nordestina, conforme denominam os técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que participaram do trabalho.

Em termos de PIB, o estudo revela que as maiores perdas serão registradas em Pernambuco (-18,6%), na Paraíba (-17,7%), no Piauí (-17,5%) e Ceará (-16,4%). Barbieri disse que a metodologia adotada pelos pesquisadores permitiu captar o efeito de uma variação do PIB agrícola e sua repercussão sobre todos os outros setores agrícolas.

Em razão disso, os setores que poderão ser mais afetados são os de serviços e indústria, principalmente aquela voltada para o processamento de alimentos, mais vinculada à agricultura. “Esses estados apresentam uma articulação forte com o setor agrícola. Então, haveria o que os economistas chamam de encadeamento entre os choques traçados para o setor agrícola e a economia como um todo”.

O professor da UFMG explicou  que, em contrapartida, o estado de Sergipe deve  ser o menos atingido pelos choques climáticos. A projeção é de que até 2050 o PIB estadual caia apenas 3,6%. “No caso de Sergipe, haveria uma variação menor em termos de terras inaptas para a agricultura em função das mudanças climáticas. Isso quer dizer que os efeitos climáticos sobre Sergipe seriam menos intensos quanto à redução da aptidão das terras”. O estudo prevê que o estado perderia apenas 5,3% de terras agricultáveis.

 

Manifestantes querem caatinga e cerrado como patrimônio nacional

Da Agência Brasil

O Movimento Cerrado Vivo faz hoje (26), às 14h, em frente à Câmara dos Deputados, uma manifestação pelo reconhecimento da caatinga e do cerrado como patrimônios nacionais. A ação está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 115/95, que tramita na Casa há 13 anos e aguarda para entrar na pauta de votação.

Para lembrar os ipês, cerca de 400 pessoas estarão vestidas de amarelo. A intenção é entregar ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, uma lista com cerca de 50 mil assinaturas, recolhidas em todo o país, a favor da PEC.

Se aprovada, a PEC vai alterar o quarto parágrafo do Artigo 225 da Constituição Federal. Este trecho define, como patrimônios nacionais, a floresta amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a zona costeira. A reivindicação é de que o cerrado faça parte desse grupo.

Antes da manifestação, às 13h, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, recebe defensores do cerrado.

 

Choques climáticos aumentam perspectiva de migrações no Nordeste até 2050, mostra estudo

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

A redução das terras disponíveis para a agricultura em função dos choques climáticos pode resultar no aumento da migração de nordestinos dentro da própria região e no país até 2050. É o que indica o estudo Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro- 2000/2050, divulgado hoje (26).

O estudo foi  elaborado para a Embaixada Britânica pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pelo Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O coordenador da pesquisa no Cedeplar/UFMG, Alisson Barbieri, explicou que, em um cenário sem mudanças climáticas, a volta de migrantes para suas regiões de origem, principalmente nordestinos e mineiros residentes em São Paulo, tende a se manter. Esse processo vem sendo observado nos últimos 15 a 20 anos. Barbieri lembrou que muitos mineiros e nordestinos ainda deixam seus estados em busca de melhores condições de vida, sobretudo em  São Paulo.

No caso das mudanças climáticas, porém, Barbieri afirmou que poderia haver  reversão dessa tendência de volta à terra natal. “Em função da redução da renda e do nível de emprego em várias áreas do Nordeste devido às mudanças climáticas, poderia acontecer uma saída de  parte dessa população do Nordeste para outras regiões do país que mantenham ou, eventualmente, aumentem o seu dinamismo econômico em função das mudanças climáticas”.

Segundo o professor, o efeito das mudanças climáticas no Nordeste como um todo, que seria a região mais afetada pelas alterações do clima no país, “poderia levar a um processo de expulsão de população do Nordeste”. Ele chamou a atenção, contudo, para o fato de que esse cenário  considera as mudanças climáticas sem a adoção de mecanismos de adaptação para a população. Para reverter essa tendência, teriam de ser desenhadas políticas que contribuíssem para manter a população na região e garantir sua subsistência.

Uma das hipóteses levantadas pelo estudo é a ampliação das transferências governamentais de renda, como o Bolsa Família, por exemplo, como instrumento para suavizar os  impactos das mudanças do clima sobre a economia do Nordeste.

Barbieri destacou que ao traçar esse cenário de aumento dos fluxos migratórios até 2050, a idéia do estudo “é levantar o debate sobre que tipo de mudanças ou adaptações seriam necessárias para que não chegássemos a isso”. Ele informou que uma alternativa para manter o nível de renda e as pessoas em suas regiões de origem seria uma atuação mais forte do estado em termos de programas de transferência de renda. “Obviamente que a capacidade fiscal do estado é limitada nesse aspecto”, observou.

Para ele, alternativas mais eficazes poderiam ser, por exemplo, a criação de oportunidades no setor de serviços e na indústria, além de investimentos em tecnologia agrícola, para criar espécies mais resistentes às variações climáticas e adaptadas às alterações do solo.

 

Estudo revela que expectativa de vida cresce no Nordeste, mas ficará abaixo da média do país

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

A expectativa de vida para os nordestinos será afetada pelas mudanças climáticas e deve ficar abaixo da média nacional, de acordo com o estudo Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro-2000/2050, divulgado hoje (26).

O estudo foi feito para a Embaixada Britânica  pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pelo Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O coordenador do Cedeplar/UFMG, Alisson Barbieri, destacou que  a expectativa de vida no Nordeste tende a aumentar,  embora esse ainda fique em patamar abaixo da média do país, devido ao envelhecimento da população e ao aumento da longevidade, que é diferente nas várias regiões.

“No caso da região Nordeste, a população ficará mais envelhecida, viverá mais; porém, com uma menor intensidade em relação ao Brasil”, apontou.

Barbieri informou que, atualmente, a taxa de fecundidade total brasileira, que é medida sobre o potencial da reprodução da população, é abaixo da reposição.

“Ou seja, para que a população pelo menos se mantivesse constante no futuro, cada mulher deveria  ter dois filhos. Um para substituir a mãe quando morresse e outro o pai quando morresse”.

No Brasil, entretanto, de forma geral o que ocorre hoje é que as mulheres têm menos de dois filhos. Isso faz com que haja menos crianças na população e mais adultos idosos.

“Acontece no Brasil inteiro. E no Nordeste também está sucedendo. Então, no futuro, teremos uma população mais envelhecida”.

Barbieri salientou que no caso das mudanças climáticas, as crianças e os idosos são os mais vulneráveis às ondas de calor e aos impactos negativos sobre a saúde.

Outro aspecto demográfico que tem se verificado no Brasil como um todo é o aumento da longevidade, isto é, da expectativa de vida, gerada, principalmente, pela redução da mortalidade infantil.

“Uma criança que nasce hoje no Brasil, e isso vale para o Nordeste, viverá mais no futuro, em função da redução geral desse nível de mortalidade”.

O que acontece, segundo o coordenador da pesquisa pela UFMG, é que mesmo que isso seja tendência  geral no Brasil, existem diferenças regionais.

No Nordeste, por exemplo, haverá aumento da expectativa de vida devido à diminuição da mortalidade infantil. Porém, esse aumento da expectativa de vida ainda será menor do que em outras regiões do país, como o Sudeste e o Sul. Nessas regiões, a tendência é de aumentar a expectativa de vida e superar a do Nordeste.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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