Etanol brasileiro no mundo

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Etanol brasileiro no mundo

BNDES lança livro para divulgar etanol brasileiro no mundo

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Bioetanol de Cana-de-Açúcar – Energia para o Desenvolvimento Sustentável é o título do livro que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lança amanhã (17), na abertura do Seminário Internacional sobre Biocombustível, em São Paulo.

Com a íntegra disponível no site www.bioetanoldecana.org, o livro Bioetanol de Cana-de-Açúcar – Energia para o Desenvolvimento Sustentável foi elaborado e escrito pelo professor Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com base em pesquisas realizadas por cerca de 30 especialistas.

Também colaboraram com a iniciativa, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e Caribe.

O trabalho é o primeiro que consolida os diversos aspectos do setor, sendo obra coletiva, porém redigida por uma só pessoa. Disso resultada, na avaliação do BNDES, “sua singularidade que é a grande unidade de estilo e conteúdo, garantindo-lhe coerência interna”.

O objetivo da obra é tornar o etanol brasileiro mais conhecido no mundo, vencer a barreira de desconfiança que ainda cerca o produto no que diz respeito a aspectos diversos da cadeia produtiva, e servir de subsídio para a abertura de um diálogo internacional no sentido de construir um mercado mundial de biocombustíveis, especificamente o etanol da cana-de-açúcar.

O livro é uma compilação didática das principais características do etanol brasileiro, suas vantagens econômicas, sociais e ambientais e as diferenças entre o produto brasileiro, derivado da cana, o norte-americano, extraído do milho, e o europeu, retirado da beterraba e do trigo.

Para o chefe de Departamento da Área de. Planejamento do BNDES, Paulo de Sá Campello Faveret Filho, o livro foi o modo encontrado pelo governo federal para vencer a desconfiança que ainda cerca o etanol brasileiro em alguns países, principalmente por causa da desinformação.

Segundo Campello, a obra apresenta “de maneira coerente, e muito consistente”, o etanol para leigos, especialmente estrangeiros.

“Nossa intenção é que ele ajude a eliminar uma parte da desinformação que existe e a consolidar o produto como uma commodity energética de primeiro nível”.

Para o autor do livro, Horta Nogueira, a desinformação sobre o etanol não é gratuita.

“As empresas que estão bem, do ponto de vista da energia e a exportam para o mundo, sempre colocaram obstáculos ao uso do etanol. Mas é hoje transparente que vários países podem reduzir as suas importação de combustíveis e dinamizar a sua economia apenas substituindo os derivados fósseis [petróleo, carvão e derivados] por produto local proveniente da cana, gerando emprego e renda”.

Para ele,  o problema é que além de enfrentar a barreira de países poderosos, como os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), é necessário produzir etanol em bases não-sustentáveis. “O etanol que é produzido na Itália, na Alemanha, usa o trigo como matéria prima e isto afeta diretamente a produção de alimentos. Outros usam a beterraba, o milho e não a cana”.

A proposta do governo, tendo como ponta de lança o BNDES, é promover no início do próximo ano um road show (evento itinerante) para levar informações sobre o etanol a pelo menos quatro grandes blocos continentais: América do Norte, América Central e Caribe, América do Sul e Europa.

 

Obra destaca vantagens da cana sobre outras matérias-primas na produção do etanol

Nielmar de OLiveira
Repórter da Agência Brasil

Entre as principais conclusões do livro Bioetanol de Cana-de-Açúcar – Energia para o Desenvolvimento Sustentável, que será lançado amanhã (17) na abertura do Seminário Internacional sobre Biocombustível, em São Paulo, estão as vantagens da cana sobre outras matérias-primas na produção do etanol.

Do ponto de vista energético, a cana chega a render até sete vezes mais que o milho usado nos Estados Unidos. Outro ponto positivo é que o aumento da demanda de cana para produzir álcool não tem impacto na segurança alimentar, já a área plantada é menor se comparada à de produção de alimentos:

“No mundo, para produzir cerca de 50 bilhões de litros de etanol por ano, são usados 15 milhões de hectares de área. Ou seja, 1% da área em uso pela agricultura no mundo, que é de 1,5 bilhão de hectares”, revela a publicação.

O organizador e escritor da obra, Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) cita dados do último Censo Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais a área cultivada nas propriedades agrícolas do país é de 77 milhões de hectares, que corresponde a 9% do território brasileiro. A área plantada com cana para a geração de energia é de 3,6 milhões de hectares (0,5% do território).

“Dizer que a produção de álcool no Brasil está afetando a produção de alimentos é desconhecer os dados mais fundamentais. Nós não temos problemas de restrições de terra para promover a produção de bioenergia em volume significativos. Mesmo porque com 23 milhões de hectares, que é a área plantada de soja hoje no Brasil, se colocaria 10% de álcool na gasolina a ser consumida por todos os países do mundo”.

Para Horta Nogueira não há dúvida: o etanol é viável, e sustentável, ambiental, econômica e socialmente. “Produzir biocombustíveis em escala global afeta a produção de alimentos? Considerando todas as demandas que temos de fibras, alimentos etc… existem condições de produzir biocombustíveis em volumes consideráveis sem afetar a produção de alimentos. Desde que eu faça isso de forma eficiente”, garante.

 

Competitividade já levou etanol a dividir mercado com a gasolina no país

Nielmar de OLiveira
Repórter da Agência Brasil

A competitividade do etanol com a gasolina tem levado gradativamente ao aumento do consumo nacional. Hoje, o álcool combustível já representa quase metade do mercado nacional.

Na avaliação do escritor do livro, o professor Luiz Augusto Horta Nogueira da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), o bioetanol da cana, produzido nas condições brasileiras, é competitivo com o petróleo até a faixa de US$ 50 o barril, abaixo, portanto, dos níveis atuais, que oscilam em torno dos US$ 60 o barril.

“É tranqüilizador para o produtor brasileiro saber que [dispõe de] um produto realmente eficiente em sua base de produção e tem competitividade. Ninguém tem dúvida de que, pode até ser com certo atraso, a Índia e a China vão passar por um processo de motorização importante. A relação entre o número de automóveis por pessoa no mundo é da ordem de um para dez e na Índia e na China é de apenas um para cem”.

“Então eles têm um parque automotivo para expandir ainda de uma forma impressionante e isto terá impacto direto no mercado do petróleo. Eu não tenho dúvidas de que o mercado de petróleo é um mercado que vislumbra a necessidade premente de encontrar formas de transcender para fontes mais sustentáveis economicamente e é aí que entra o nosso etanol”, acredita.

Horta Nogueira também ressalta os aspectos ambientais da produção brasileira, como o fato de o cultivo da cana não implica desmatamento, já que a expansão da lavoura vem ocorrendo basicamente em áreas antes ocupadas por pastagens de baixa produtividade ou culturas destinadas a exportação, como a soja.

Segundo o professor, o uso do etanol da cana permite reduzir em 89% as emissões de gases de efeito estufa, o que também é uma vantagem.

O uso do milho como matéria-prima permite a redução de até 38% na emissão de gases do efeito estufa; o do trigo, de 19% a 47%; o da beterraba, de 35% a 56%; e o da mandioca, em 63%.

“São significativas as perspectivas que ainda existem de aperfeiçoamento desse setor, com ganho de produtividade seja na área agrícola seja industrial, os empregos apresentam bons indicadores de qualidade e ainda com a crescente mecanização, a demanda de mão-de-obra permanece a mais elevada no setor energético”, afirma.

Ele lembra também que, nas condições atuais, para cada milhão de metros cúbicos de bioetanol de cana-de-açúcar empregado na mistura com gasolina, cerca de 1,9 milhão de toneladas de gás carbônico deixam de ser jogados na atmosfera.

 

Agronegócio da cana movimentou cerca de R$ 41 bilhões no Brasil em 2007

Nielmar de OLiveira
Repórter da Agência Brasil

A competitividade do etanol frente à gasolina pode ser melhor entendida quando se analisam os números. Somente no ano passado o setor movimentou R$ 41 bilhões no Brasil.

Embora a produção do bioetanol não mais seja subsidiada, como ocorreu no início do Proálcool, o combustível surge hoje como o substituto natural da gasolina e seu consumo atualmente já representa metade da procura pela gasolina.

No ano passado, foram produzidos no país 30 milhões de toneladas de açúcar e 17,5 bilhões de litros de bioetanol. Foram exportados 19 milhões de toneladas de açúcar (R$ 7 bilhões) e 3 bilhões de litros de etanol (US$ 1,5 bilhão em divisas), representando 2,65% da economia nacional. Foram recolhidos R$ 12 bilhões em impostos e taxas e investidos R$ 5 bilhões em novas unidades agroindustriais.

Os dados constam do livro Bioetanol de Cana-de-Açúcar – Energia para o Desenvolvimento Sustentável, a ser lançado amanhã em são Paulo. Segundo a publicação, a expansão da produção de bioetanol e açúcar nas últimas décadas ocorreu não apenas com o aumento da área cultivada, mas por meio de expressivos ganhos de produtividade nas fases agrícola e industrial, com aumentos anuais de 1,4% e 1,6%, respectivamente.

“O processo resultou em crescimento anual de 3,1% na produção de bioetanol por hectare cultivado, ao longo de 32 anos”.

O livro mostra que esse ganho de produtividade possibilitou que a área atualmente dedicada à cultura da cana para a produção de bioetanol (cerca de 3,5 milhões de hectares) represente 38% da terra que seria necessária no início do Proálcool, em 1975, para manter a produção e a produtividade atual.

“Esse notável ganho de produtividade que multiplicou por 2,6 o volume de bioetanol por área cultivada, foi obtido pela contínua incorporação de novas tecnologias”, revela o livro.

Contribui para o avanço do álcool na matriz energética brasileira o sucesso dos carros biocombustíveis (os flexs) que levou a produção de cana a saltar de 88,92 milhões de toneladas na safra 1975/76 para 489,18 toneladas na safra 2007/08. Com isso, a produção de etanol subiu de 0,6 milhão de metros cúbicos para 22,24 milhões de metros cúbicos diários, no mesmo período.

Apesar da expansão, a cultura da cana ocupa apenas 9% da superfície agrícola do país, o terceiro em cultivo mais importante de área, depois da soja e do milho. Em 2006, a área colhida foi de 6,12 milhões de hectares, para uma área plantada de mais de 7,04 milhões de hectares e produção total de 457,98 milhões de toneladas.

A expectativa é de melhora ainda mais essa performance admite Júlio Ramundo, superintendente da Área Industrial do Banco Nacional de desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“O banco vem procurando incentivar a implementação de projetos voltados para a inovação tecnológica. O Brasil é reconhecidamente um líder no setor, mas outros países estão investindo fortemente em tecnologia, segunda geração de etanol, e o Brasil não pode perder a vantagem tecnológica que tem hoje”.

Júlio Ramundo lembra que o BNDES considera o apoio à inovação fundamental para a preservação da competitividade brasileira. “Por isso mesmo vem apoiando alguns projetos voltados para a inovação, seja na iniciativa privada, seja em alguns centros de pesquisa existentes no Brasil para o estudo de segunda geração”.

 

Setor sucro-alcooleiro não indica retração nos investimentos, constata BNDES

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não detectou qualquer movimento no sentido de cancelamento ou mesmo adiamento de investimentos no o setor sucro-alcooleiro, cuja concessão está em análise na instituição.

“Não há hoje na carteira que o BNDES tem em análise no banco, que é bastante expressiva, nenhuma notícia ou caso de desistência de solicitação de empréstimos. São inúmeros projetos e alguns com valores de financiamento muito expressivo. Essa é a notícia que eu acho mais relevante”, afirmou superintendente da Área Industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Júlio Ramundo.

Segundo ele, porém, com a situação difícil e momentânea como a que vive o mundo hoje é natural que haja adiamentos de planos de investimentos. “Porque estamos falando de vultosas quantias. Independente disso, a sinalização que nós do BNDES temos dado às empresas é de crença muito grande no futuro do etanol – e isto não mudou em absoluto”.

Em sua avaliação a crise afeta todos os setores, há falta de crédito generalizado e várias cadeias da economia estão sofrendo. “Obviamente que o setor de açúcar e de álcool também, uma vez que ele já vinha de uma situação de preço que não era das mais favoráveis desde o ano passado e na crise isto se agravou”, admitiu.

Ramundo fez as declarações na última semana, quando o BNDES liberou para a imprensa, detalhes do livro Bioetanol de Cana-de-Açúcar – Energia para o Desenvolvimento Sustentável, que a instituição lança amanhã (17), no Seminário Internacional sobre Biocombustíveis, em São Paulo.

Também presente à entrevista, Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do Departamento de Biocombustíveis, lembrou que os crescimentos anuais dos desembolsos do BNDES têm sido da ordem de 80% em todo o complexo sucro-alcooleiro.

“A gente está falando em apoio ao aumento da capacidade produtiva do parque industrial. Da venda de equipamentos industriais e agrícolas para a cadeia, dos projetos de co-geração – que também vem crescendo ao longo dos anos – e falando também da participação do banco no capital de algumas empresas, até porque entendemos que o processo de consolidação do setor vai acontecer em algum momento”.

Cavalcanti informou que, juntando os produtos que o BNDES ofereceu ao setor no ano passado, o desembolso foi da ordem de R$ 3,6 bilhões.

“Um valor que por si só já é bastante expressivo porque se vocês olharem todo o desembolso global do BNDES, este valor representa algo da ordem de 5,5% de todo o desembolso e vem sistematicamente crescendo”.

Segundo ele, a participação do setor nos desembolsos do banco, que no ano de 2004, quando foi lançado o carro flex, era da ordem de 1,5%, chegou no ano passado a 5,5%,.

“E este ano dados até outubro indicam uma participação do complexo sucro-alcooleiro da ordem de 7,5%. Foram desembolsados R$ 70 bilhões e o setor representou R$ 5,2 bilhões”.

Cavalcanti adiantou que o banco tem hoje mais de 70 projetos na Carteira do Departamento de Bicombustíveis.

“São projetos em diferentes estados, operações já em fase final de contratação e liberação de recursos, e operações ainda no início do processo analítico aqui no banco. A gente não tem nenhum registro de desistência das empresas que enxergam no segmento um setor estratégico no longo prazo”.

Agência Brasil

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