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Fontes menos poluentes impediram Brasil de emitir 3 bilhões de toneladas de gases em 11 anos

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Categoria(s): Energia, Fontes alternativas, Notí­cias, Preservação
|-> Publicado por: Maurí­cio Machado

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

O uso de fontes de energia pouco poluentes evitou que o Brasil lançasse na atmosfera quase 3 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera entre 1994 e 2005, revela um levantamento da organização Economia e Energia (E&E) feito sob encomenda do Ministério de Ciência e Tecnologia e apresentado hoje (19) no Rio de Janeiro.

Segundo o estudo, as hidrelétricas, o etanol (álcool combustível) e as usinas nucleares evitaram a emissão de 2,89 bilhões de toneladas do gás responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global. Somente as hidrelétricas concentram 2,55 bilhões de toneladas - 88% do total. Em seguida, vem o etanol, com 255 milhões de toneladas, e as usinas nucleares, com 85 milhões de toneladas.

De acordo com o físico Carlos Feu Alvim, da E&E, a matriz energética limpa representa o principal diferencial das fontes de energia do Brasil. “O grande fator da nossa matriz limpa são as usinas hidrelétricas”, ressaltou. “Enquanto nos outros países, a produção de energia elétrica responde pela maior parte das emissões, no Brasil ela representa uma fatia pequena.”

Em 2005, o país emitiu 330 milhões de toneladas de gás carbônico. No entanto, diz o físico, as energias renováveis e a nuclear possibilitaram ao Brasil evitar o lançamento de mais 370 milhões de toneladas do gás. “Estaríamos lançando mais do que o dobro de carbono se não tivéssemos o programa do álcool, as hidrelétricas, o carvão vegetal e até a lenha doméstica, que também evita emissões”, analisou Carlos Feu.

Os físicos determinaram a quantidade de gás carbônico a partir do peso do carbono, um dos componentes do gás. Segundo Carlos Feu, isso ocorre porque o gás carbônico tem outra escala de equivalência, contestada no meio científico. “Ela [escala de equivalência do gás carbônico] valoriza muito gases como o metano, que se reduz pela metade na atmosfera em dez anos, enquanto o carbono fica presente por centenas de anos”, explica.

Carlos Feu defendeu a expansão das usinas nucleares no Brasil. Segundo ele, do ponto de vista da emissão de gás carbônico, há um consenso atualmente de que essa energia é mais limpa que a produzida pelos combustíveis fósseis.

“A energia nuclear tem outros concorrentes, como a energia eólica [dos ventos], a biomassa [bagaço de cana]“, ressaltou. “De qualquer forma, as usinas nucleares certamente vão ter um papel importante no futuro, não só porque está faltando petróleo, mas porque existe o problema do aquecimento global.”

Agência Brasil



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