Fórum de Água das Américas

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Fórum de Água das Américas

Encontro define propostas das Américas para enfrentar mudanças climáticas

Lúcia Nórcio
Enviada especial

Autoridades em recursos hídricos das Américas do Sul, do Norte, Central e do Caribe participam a partir da noite de hoje (23), em Foz do Iguaçu (PR), do maior evento internacional que antecede o 5° Fórum Mundial da Água, a ser realizado em Istambul (Turquia) em março de 2009. Está confirmada a participação de 33 países, que até terça-feira (25) estarão discutindo novas políticas para questões ambientais.

No encontro será elaborado um documento com as propostas das Américas para o mundo enfrentar o desafio do atual cenário de mudanças climáticas. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participa da abertura, juntamente com o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, e o presidente do Conselho Mundial da Água, o francês Loïc Fauchon, considerado a maior autoridade do mundo em gestão e aproveitamento de recursos hídricos e saneamento.

O Fórum de Água das Américas é uma iniciativa de diversas instituições, entre elas o Consórcio Regional das Américas (CRA), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Itaipu Binacional e o governo do Paraná.

De acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), se não forem tomadas medidas corretivas agora, em 2050 praticamente metade da população mundial sofrerá com a falta de água, uma realidade que, na opinião do anfitrião do evento, o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, justifica a realização do fórum.

“Estamos aqui com cerca de 3.500 participantes, pessoas que se preocupam com o desmatamento, com as conseqüências das adversidades climáticas, com o uso indiscriminado de agrotóxicos, erosão de solos , com a poluição industrial e urbana. São pessoas que já se conscientizaram de que a água é um bem finito”.

Segundo Samek, o planeta é constituído de dois terços de água e de apenas um terço de terra, mas a água doce disponível para a população atualmente é de menos de 1%. Desse total, 13% estão no Brasil, 27% na América Latina. “Isso nos torna responsáveis pelo futuro”, afirmou.

Para o presidente da Itaipu , terra e água não são patrimônios que herdamos de nossos pais, “são patrimônios que estamos tomando emprestado de nossos filhos e que temos a obrigação de devolver em melhores condições do que recebemos”.

Paralelamente ao Fórum de Águas das Américas, será realizado o 5º Encontro Cultivando Água Boa, o programa socioambiental da Itaipu Binacional, composto por 70 projetos e 108 ações ambientais de recuperação de todas as 29 microbacias do entorno do reservatório da usina. O programa é considerado modelo no país, com vários prêmios internacionais na área de promoção da educação ambiental.

 

Leonardo Boff diz que vai pedir à sociedade formas menos destrutivas de produção

Lúcia Nórcio
Enviada especial

O teólogo, escritor e membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, Leonardo Boff, disse que vai pedir às pessoas, grupos e Poder Público que mudem de comportamento, assumam novos valores e se comprometam com formas menos destrutivas de produção e mais responsáveis de consumo. O pedido será feito em conferência que fará amanhã (24) aos cerca de 3.500 participantes do Fórum de Águas das Américas e 5º Encontro Cultivando Água Boa, em Foz do Iguaçu (PR).

Os dois eventos, que começam hoje (23) à noite, vão reunir durante dois dias profissionais ligados à gestão e à política de recursos hídricos de governos, da sociedade civil organizada, de universidades e usuários de água das Américas do Sul,do Norte, Central e do Caribe. Eles vão avaliar o desenvolvimento e o progresso que os países dessas quatro regiões atingiram na última década em termos de políticas de água. Dessa avaliação sairá um diagnóstico que formará um documento a ser apresentado no 5° Fórum Mundial da Água, que será realizado em Istambul (Turquia) em março de 2009.

Leonardo Boff fez um diagnóstico das possíveis causas de crises que assolam a humanidade. “Estamos consumindo mais do que a terra pode repor. Para manter o consumo mundial do jeito que está, precisamos de uma terra e mais um outro terço da terra. Sem mudanças, haverá fome generalizada entre 150 milhões e 200 milhões de emigrados climáticos e teremos 800 milhões de famintos que não aceitam o veredito de morte, e se rebelarão”, advertiu.

O teólogo vai comentar com os participantes dos encontros os resultados de pré-encontros dos atores envolvidos no programa Cultivando Água Boa, realizados nos 29 municípios que circundam a represa de Itaipu. Segundo ele, participaram centenas de educadores ambientais, representantes da sociedade civil, movimentos e setores do Poder Público. “Discutiram, avaliaram o que vem sendo feito e apresentaram soluções para questões socioambientais”, informou.

Foram realizados 19 pré-encontros nos 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3, envolvendo cerca de 2.500 pessoas. Leoanarod Boff adiantou que em sua palestra vai mostrar a diferença que tem uma região onde pessoas, grupos e Poder Público assumem novos valores e se comprometem com formas menos destrutivas de produção.

Para ele, o petróleo tem dias contados, o carvão durará ainda 300 anos, mas é altamente poluente, todas as energias alternativas do etanol, do sol, das marés, dos ventos, de outras oleaginosas são insuficientes ou pensadas para serem agregadas ao petróleo. “Temos que buscar fontes alternativas e mudar a forma de produção e de consumo. Não temos como escapar disso”.

De acordo com o teólogo, o homem deve produzir conforme os recursos disponíveis no ecossistema local, preservando o capital natural, respeitando os ciclos naturais e distribuindo com mais justiça os resultados e serviços entre toda a população.

“Até agora, tratamos a terra como um baú de recursos a ser explorado e isso é assustador”, disse Boff. Segundo ele, o mundo passa por uma crise ética e espiritual. “Falta cooperação e solidariedade. Domina o interesse individual ou grupal dos grande oligopólios, e o resultado está aí, uma crise econômico-financeira”.

 

Encontro paralelo ao Fórum das Águas mostra programa socioambiental no entorno de Itaipu

Lúcia Nórcio
Enviada especial

Um evento paralelo ao Fórum das Águas das Américas será realizado em Foz do Iguaçu (PR) – o 5º Encontro Cultivando Água Boa, promovido pela Itaipu Binacional, que também começa hoje (23) à noite.

O programa é desenvolvido numa área de aproximadamente 8 mil quilômetros quadrados, que engloba 29 municípios do oeste do Paraná. Nessa área, denominada Bacia Hidrográfica do Paraná 3, vivem 1 milhão de habitantes, sendo cerca de 90% pequenos agricultores que cultivam em um pedaço de terra de 50 hectares, em média, milho, trigo, soja, criam suínos ou vivem da piscicultura.

Segundo o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, a região é uma das mais produtivas do país e foi “perfeita” para a implantação do programa, respondendo de forma surpreendente às práticas socioambientais sugeridas. “Tanto que temos hoje uma rede de cooperação com 1.200 parceiros – instituições federais, estaduais e municipais, não-governamentais, movimentos sociais, agricultores, pescadores, catadores, suinocultores, assentados, indígenas e instituições de ensino. Se formos levar em conta toda a participação no programa, podemos dizer que ele envolveu até agora cerca de 230 mil pessoas”.

Atualmente estão sendo desenvolvidos 70 projetos e 108 ações voltadas para a preservação do meio ambiente. Nelton Friedrich disse que a Hidrelétrica de Itaipu, pertencente ao Brasil e ao Paraguai em igualdade de condições, com potência instalada de 14 mil megawatts (MW), tem, desde sua criação, um compromisso com a causa socioambiental.

O diretor da Itaipu explicou que o Cultivando Água Boa segue diretrizes do governo federal e de documentos como a Carta da Terra, Agenda 21, Metas do Milênio, Tratado de Quioto e Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

O projeto brasileiro será apresentado aos representantes dos 33 países das quatro regiões – América do Norte, América Central, Caribe e América do Sul – como uma experiência de sucesso resultante do trabalho de uma rede. “Vamos mostrar ações concretas, que abrangem desde a recuperação das microbacias do entorno do reservatório da usina, até a proteção das matas e da biodiversidade, correção de passivos da agropecuária, conversão de atividades econômicas para uma produção sustentável e promoção da educação ambiental”, afirmou.

No balanço de seis anos de programa serão apresentados números, como a instalação de quase 400 quilômetros de cercas para proteção da mata ciliar, plantio de 2 milhões árvores nas áreas protegidas, adequação de 307 quilômetros de estradas, conservação de 3,4 mil hectares de solo e água, instalação de abastecedouros comunitários, distribuição de adubo orgânico, destinação adequada de 440 toneladas de embalagens de agrotóxicos, elaboração de 3,7 mil projetos de controle ambiental de propriedades rurais, e a consolidação e mil famílias atualmente vivendo da agricultura orgânica.

Ao contrário do Fórum das Águas das Américas, reservado aos países convidados, a participação no 5º Encontro Cultivando Água Boa será aberta ao público em geral, com a realização de várias oficinas.

O programa é referência mundial na área de preservação ambiental. Segundo o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, ele foi a única experiência brasileira no setor elétrico selecionada para ser apresentada na Expo Zaragoza 2008, na Espanha, a maior feira mundial sobre água.

Agência Brasil

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