Ibama afirma que redução de espécie de peixes na Amazônia contribui para equilíbrio da espécie

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Ibama afirma que redução de espécie de peixes na Amazônia contribui para equilíbrio da espécie

Contagem revela redução de 25% dos pirarucus adultos em lagos de município amazonense

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

O trabalho dos pescadores responsáveis pela contagem dos pirarucus nos lagos Purema e Preto, localizados no município de Silves (AM), terminou ontem (15) e, segundo o chefe do Instituto Braileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na região, João Vieira, apesar de o número de peixes adultos contabilizados neste ano ter sido inferior ao ano passado, o manejo da espécie na região está garantido.

“A contagem revelou uma diminuição de 25% de peixes adultos. Ainda não podemos precisar as causas disso, mas sabemos que entre a contagem do ano passado e a deste ano, o local sofreu com a invasão de pescadores não autorizados, que desrespeitaram as normas do acordo existente. A presença de gado no local também pode estar contribuindo para essa redução, porque os rebanhos vivem na beira dos lagos, causam impacto no solo e comem o capim que serviria de alimento para os peixes quando o nível das águas sobe”, explicou Vieira.

Neste ano, foram registrados no local 593 pirarucus, contra 695 em 2006. A partir deste resultado, segundo Vieira, o Ibama deverá reforçar a fiscalização da área, para evitar a pesca clandestina, e também verificar o que fazer se for constatada a interferência do gado. Esse trabalho terá o apoio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, entre outras instituições.

A atividade dos pescadores de Silves conclui um ciclo iniciado em setembro no estado, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no município de Tefé. Todos os anos, a contagem segue pelas reservas extrativistas e municípios que possuem acordos de pesca, como Itacoatiara e Silva, incluídos na lista autorizada pelo Ibama para o manejo do pirarucu no estado, ou seja, para a pesca controlada – é respeitado o período de retirada do animal do meio ambiente, sem prejudicar o crescimento dos filhotes ou a reprodução dos adultos.

Gelson Batista, especialista em manejo de recurso pesqueiro, explicou que o trabalho começa em Tefé porque lá o nível das águas diminui antes dos outros municípios. “A época ideal para a contagem varia de acordo com a redução do nível das águas dos rios em cada município. O momento ideal é quando os lagos estão isolados e os pirarucus não têm contato com o canal principal dos rios, ficando assim concentrados nesses lagos. Depois disso, o trabalho só poderá se repetir no próximo ano, quando o processo natural volta a acontecer. Tudo isso os contadores de Mamirauá têm levado para outros pescadores, que repassam o conhecimento a suas comunidades”, disse.

Após a conclusão da contagem, os pescadores iniciarão, no domingo (18), a pesca autorizada pelo Ibama e que prevê 30% do total de peixes adultos. Nos dois dias seguintes os peixes serão vendidos a R$ 4 o quilo e o lucro reverterá para os pescadores e moradores da comunidade que participam da atividade de manejo.

 

Manejo preserva o pirarucu e garante renda a pescadores, diz chefe regional do Ibama

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

O chefe regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), João Vieira, destacou hoje (16), quando o resultado da contagem dos pirarucus nos lagos de Silves apontou redução no número de peixes, que o manejo no médio Amazonas – que inclui os municípios de Itacoatiara, Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Urucará, Uricurituba, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva – contribui para o equilíbrio e a preservação da espécie, além de fortalecer a importância comercial do pescado. A carne, acrescentou, só pode ser vendida com autorização do Ibama.

“A coisa boa de se fazer o manejo é exatamente manter a natureza em função do homem, tirando dela o que é necessário e deixando para ela o que o meio ambiente precisa. O manejo do pirarucu permite o cuidado com a espécie e, ao mesmo tempo, a pesca e venda pelos pescadores locais”, complemenou.

O trabalho realizado pelos contadores de pirarucu começa bem cedo. Por volta de 6h30, quando o dia já está claro e não há vento para atrapalhar a observação dos lagos, e também os pescadores já estão em suas canoas. Divididos em duplas e contando somente com os sentidos da visão, audição, caneta e papel, eles seguem para áreas diferentes do lago com o objetivo de registrar quantas vezes os pirarucus sobem à superfície para respirar – é esse número que vai revelar a quantidade de peixes adultos. Estes sobem uma vez a cada 20 minutos e os filhos, duas vezes no mesmo intervalo de tempo.

Essa contagem dura praticamente toda a manhã e, segundo o Ibama, também determina o número de peixes que poderão ser pescados – o equivalente a 30% do total de adultos registrado pelos contadores, que realizam a atividade todos os anos.

“No Amazonas a pesca do pirarucu é proibida o ano todo, porque além do defeso nacional da espécie, que vai de 1º de dezembro a 31 de maio, ainda existe o defeso estadual, entre 1º de junho e 30 de novembro. Em função disso, a pesca da espécie no estado só pode ser feita em Unidades de Conservação, Reservas de Uso Sustentável ou ainda onde existam acordos de pesca, e em pisciculturas que se credenciaram no Ibama”, explicou Gelson Batista, especialista em manejo de recurso pesqueiro e membro da Associação dos Engenheiros de Pesca do Amazonas.

O chefe regional do Ibama informou ainda que associações de pescadores, comunidades e municípios interessados no manejo do pirarucu devem solicitar ao órgão ambiental a avaliação de suas regiões para verificação das possibilidades de implantação da atividade no local.

“A princípio é feita a contagem para saber se há peixe suficiente para iniciar o manejo. Ainda que sejam poucos, isto não impedirá a atividade. Existem comunidades em Mamirauá, por exemplo, que começaram com menos de 20 peixes adultos e em cerca de três anos conseguiram triplicar o número, por terem feito o manejo corretamente. Basta que a comunidade se organize e mantenha a preocupação ambiental”, acrescentou Vieira.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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