Importação de gás boliviano e uso de recursos hídricos

Todos os dias publicamos novos conteúdos e conquistamos um número cada vez maior de usuários. A equipe do portal AMA agradece a todos os usuários que acessam constantemente este site, que já é uma referência nacional sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. E lembre-se, não basta apenas conhecer os problemas, é necessário agir! Cada um fazendo sua parte, de forma consciente, ajuda a melhorar o ambiente em que todos nós vivemos.

Importação de gás boliviano e uso de recursos hídricos

Fiesp defende solução bem amarrada com a Bolívia para garantir necessidades futuras de gás

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

Importar menos gás da Bolívia não vai ser um problema para o Brasil, se uma solução para uma necessidade futura (do gás) estiver “bem amarrada” neste momento com o governo boliviano. A avaliação é do diretor de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti.

Segundo ele, a diminuição da importação de gás boliviano, anunciada ontem (9) pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, representa de imediato uma economia para o Brasil, mas poderia se transformar “numa dor-de-cabeça” daqui a seis meses, por exemplo, caso não seja estabelecido um acordo entre os dois países, já prevendo que o Brasil volte a necessitar dessa energia mais tarde.

“A Bolívia vai procurar outro mercado [para a venda do gás que não será mais usado pelo Brasil] e pode vender mais para a Argentina. Daqui a seis meses o Brasil pode querer mais. E aí pode virar um tango dramático. A Argentina já poderia, por exemplo, estar acostumada a importar essa quantidade da Bolívia. E isso seria um problema para o Brasil”, afirmou.

Além da redução das importações de gás da Bolívia, o governo brasileiro anunciou que vai fechar as termelétricas até abril e que passará a usar basicamente a energia das hidrelétricas, que estão abastecidas por causa das chuvas no período.

Cavalcanti considera benéfica para o país a medida tomada ontem, porque o uso das hidrelétricas é mais barato e mais limpo e também não provoca preocupações para a indústria, já que há “energia de sobra nas hidrelétricas”.

 

Lobão anuncia aumento da importação de gás boliviano, mas diz que não houve recuo

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou há pouco que o Brasil deve aumentar a importação de gás da Bolívia a partir de hoje (10), com a entrada em operação das termelétricas de Araucária, no Paraná, e de Canoas, no Rio Grande do Sul. A decisão contraria medida tomada de manhã quanto à redução do uso diário de gás nos limites atuais de 19 milhões de metros cúbicos por dia.

Lobão disse que não houve recuo em relação à decisão anterior. Segundo o ministro, o que houve foi a constatação de uma nova realidade apresentada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, quanto à necessidade das duas termelétricas entrarem em funcionamento por causa da estiagem na Região Sul. Isso significa que haverá aumento de 19 milhões de metros cúbicos para algo em torno de 23 milhões a 24 milhões de metros cúbicos diários.

O Brasil tem com a Bolívia um acordo de consumo diário de até 31 milhões de metros cúbicos de gás e se obriga a pagar pelo menos 80% deses volume, usando-o, ou não. Como o consumo estava em torno de 19 milhões, o Ministério de Minas e Energia acenou com a possibilidade de manter esse nível de uso, o que surpreendeu a missão boliviana que chegou ontem ao Brasil.

A missão é chefiada pelo ministro do Planejamento, Carlos Villegas, que alegou o fato de o governo boliviano não ter sido notificado sobre a redução das importações pelo Brasil. Ao deixar o ministério, Villegas ressaltou a integração estratégica entre Brasil e Bolívia na área energética e disse que tudo tinha ficado bem esclarecido.

 

Cobrança pelo uso de recursos hídricos ainda é desafio após 12 anos da Lei de Águas

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Doze anos após a criação da Lei 9.433, a chamada Lei de Águas, a implantação de mecanismos de cobrança pelo uso dos recursos hídricos e a articulação entre ações federais, estaduais e municipais estão entre os principais desafios da legislação. A avaliação é do diretor do Departamento de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Bosco Senra.

A lei, que completou 12 anos esta semana, instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. “A lei institucionalizou o uso dos recursos hídricos, criou mecanismos importantes como a outorga de águas, os planos de recursos hídricos, tanto o nacional como os estaduais, e também os comitês de bacias”, avaliou Senra.

No entanto, um dos principais instrumentos da legislação, a possibilidade de cobrança pelo uso da água – por indústrias e empreendimentos pesqueiros ou hidrelétricos, por exemplo – ainda tem alcance restrito: só é feita de forma efetiva nas bacias dos Rios Piracicaba/Capivari/Jundiaí (Minas Gerais e São Paulo) e Paraíba do Sul (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro). “Outros estados estão se preparando para a cobrança. É um processo definido pelos comitês de bacia, uma decisão de baixo para cima”, apontou o coordenador.

De acordo com Senra, de modo geral, a implementação da Lei de Águas avançou mais nas Regiões Sul e Sudeste do país “onde há maior conflito pelo uso dos recursos hídricos”.

Em 12 anos, a maioria dos estados brasileiros formaram conselhos de recursos hídricos e o MMA já contabiliza mais de 160 comitês de bacias. A criação da Agência Nacional de Águas (ANA) também foi resultado direto da lei, segundo Senra.

“Temos muito que se avançar daqui em diante, principalmente em relação ao fortalecimento do sistema e dos órgãos gestores,  ao treinamento e capacitação de equipes técnicas e à integração com a sociedade civil”, listou.

Em março, de acordo com o MMA, o Brasil deve apresentar os resultados e as experiências da lei no Fórum Mundial das Águas, em Istambul, na Turquia.

Agência Brasil

Sobre

- Redação AMAEsta notícia foi selecionada pela redação do site AMAnatureza e disponibilizada aos leitores do projeto citando a fonte e créditos autorias de acordo com os direitos de divulgação estabelecidos pela instituição responsável.Ver todas as publicações de - Redação AMA »

Deixar uma Resposta

Você precisa estar logado para publicar um comentário.