Inpe registra avanço do desmatamento na Amazônia em fevereiro

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Inpe registra avanço do desmatamento na Amazônia em fevereiro

Povos da floresta pedem reconhecimento público pela preservação ambiental

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Um reconhecimento público pela manutenção das florestas tropicais é o desejo de 31 representantes de povos indígenas e de populações tradicionais de dez países (Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Nicarágua, Venezuela, Suriname e Panamá). Nesta semana, em Manaus, eles pediram que o poder público considere suas contribuições para a preservação das áreas de floresta onde vivem.

O grupo integra o conjunto de participantes do workshop Latino-Americano Mudanças Climáticas e Povos da Floresta que, até amanhã (4), deverá consolidar as propostas para compor documento que reúna o posicionamento comum desses povos a respeito dos mecanismos de compensação por redução de desmatamento. Essas propostas deverão integrar as novas regras da Convenção do Clima após 2012.

O evento é promovido pela Aliança dos Povos da Floresta – associação criada em 1989 e que reúne o Conselho Nacional de Seringueiros (CNS), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). Além dos dez países, participam do evento 25 convidados, incluindo membros do Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas e representantes da África e da Ásia.

De acordo com o presidente do CNS, Manoel Cunha, o impacto das mudanças climáticas na vida dos povos indígenas e das populações tradicionais se apresenta como uma das maiores preocupações da Aliança dos Povos da Floresta. Ele ressalta que, no evento, a idéia é garantir voz ativa nos debates sobre clima e desmatamento e, além disso, estimular os negócios de crédito de carbono entre os países. Para o líder do CNS, as populações tradicionais da floresta devem ser incluídas na repartição dos benefícios oriundos de fundos ou créditos de carbono.

“Queremos discutir propostas de combate ao desmatamento sem esquecer de uma recompensa devida às populações tradicionais das florestas pelos serviços ambientais que prestam à humanidade. É preciso valorizar as florestas. Na hora em que isso acontecer, seja com pagamento por serviços ambientais, seja com agregação de valor aos produtos produzidos nessa região, não haverá dúvidas quanto à importância da preservação”, destaca Cunha, lembrando que, em menor escala, o programa amazonense Bolsa Floresta reflete um pouco os anseios apresentados.

O programa beneficia famílias que contribuem para a preservação ambiental nas unidades de conservação do Amazonas. “O Bolsa Floresta é um bom exemplo a ser contado. Devemos pensar em algo nesse sentido, mas com maior amplitude”, complementou Cunha.

Para o coordenador da Coiab, Jecinaldo Cabral, o reconhecimento deve vir em forma de políticas públicas que garantam preparo dos povos indígenas e tradicionais da floresta quanto às suas relações com o meio ambiente e também como proteção e respeito a essas populações. “O que nós queremos é trabalhar grandes alianças, começando pelos povos da floresta. Isso será fundamental para o que estou chamando de uma revolução para salvar as florestas tropicais”, disse o representante indígena.

O coordenador científico do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, explicou que o documento final do encontro será apresentado em junho, na Convenção do Clima, na Alemanha, onde também devem ser discutidas políticas públicas e incentivos para redução das emissões por desmatamento e degradação florestal em países em desenvolvimento. Na sua avaliação, até mesmo pelo modo de vida, os povos tradicionais das áreas de floresta têm um papel fundamental nas discussões sobre mudanças climáticas porque acabam preservando estoques de carbono que, se influenciados pelo desmatamento, iriam provocar emissões de gases de efeito estufa que agravariam a mudança do clima.

“A idéia é fazer um documento latino-americano de povos da floresta para começar a traçar as principais bases ou consensos para que eles possam iniciar um diálogo mais qualificado no âmbito da Convenção do Clima, ou ainda com o governo brasileiro ou com os governos dos respectivos países que estão aqui representados”, concluiu Moutinho.

 

Inpe registra avanço do desmatamento na Amazônia em fevereiro

Danilo Macedo e Luana Lourenço
Repórteres da Agência Brasil

O desmatamento na Amazônia voltou a crescer em fevereiro, de acordo com dados do Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter), apesar do período de chuvas na região, que dificulta a ação dos madeireiros.

A área desmatada no período, calculada em 725 quilômetros quadrados, é 13,45% maior do que a registrada em janeiro desse ano, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou 639,1 quilômetros quadrados de novas áreas devastadas.

Os dados revelam avanço do desmatamento mesmo após as medidas anunciadas pelo governo federal para combater a devastação da Amazônia, entre elas o fortalecimento das operações da Polícia Federal e a restrição de crédito para propriedades irregulares.

Ao comentar os números, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a avaliação dos resultados das ações de combate ao desmatamento não pode ser imediatista.

“É claro que a resposta dessas medidas não tem a mesma velocidade que a dinâmica [do desmatamento] que está em curso tem. Com certeza, elas irão surtir efeito, mas não em apenas um mês ou dois”, disse hoje (3), na cerimônia de posse dos conselheiros da Reserva da Biosfera do Pantanal.

“O que nós queremos é que todas elas [medidas] todas venham a acontecer e, se possível, tenhamos também, em 2008, uma redução no desmatamento”, acrescentou.

De acordo com os dados do Deter, Mato Grosso concentra 88% do desmate total registrado no período. Em fevereiro, a área devastada no estado foi de 639 quilômetros quadrados e cresceu 68% em relação ao mês anterior.

Em Rondônia, o desmatamento cresceu 8,7% no mesmo período. Já o Pará registrou queda de 12,6% em relação a janeiro. Os três estados concentram os 36 municípios que mais desmataram a floresta Amazônica em 2007.

O Deter é um sistema de monitoramento da Amazônia por satélites que fornece dados sobre a cobertura vegetal da região. A consolidação dos dados é feita por outra metodologia, o Projeto de Estimativa de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), que define as taxas de desmatamento.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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