Intensificação das mudanças climáticas exige mais velocidade na aplicação de soluções

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Intensificação das mudanças climáticas exige mais velocidade na aplicação de soluções

Taxar emissões de carbono não levaria países à falência, avalia pesquisador do IPCC

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Diante do aumento de temperatura da terra e dos possíveis custos globais do aquecimento para a economia, taxar as emissões de carbono e investir na mitigação de gases do efeito estufa para atenuar os impactos ao aquecimento global não trará prejuízos financeiros aos países que decidirem adotar essas medidas. A avaliação é de um dos integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), Leo Meyer.

A proposta foi apresentada durante a primeira reunião na América Latina do IPCC, realizada ontem (25) e hoje no Rio.

O pesquisador apresentou em um gráfico duas hipóteses de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas) de um país até 2030 e afirmou que com tributos na ordem de US$ 50 por tonelada de dióxido de carbono (CO2) emitida, o crescimento econômico não seria afetado. “Os países não iriam à falência por causa disso. Investir em mitigação não arruinaria economias nacionais”, afirmou.

Na avaliação do representante do Instituto Internacional para Desenvolvimento Sustentável em Energia e Mudança Climática, John Drexhage, também membro do IPCC, a questão de investimentos ainda não foi aprofundada pelo painel. “O tema deve ganhar mais peso no próximo relatório. Mudanças positivas têm a ver com implementação de tecnologias, e isso só se dá através de investimentos”, disse.

Drexhage defendeu maiores investimentos governamentais e adoção de políticas públicas para o tema, mas afirmou que os mecanismos de enfrentamento das mudanças climáticas, aliados ao desenvolvimento, devem necessariamente passar por parcerias com investidores privados. “As soluções vão além da capacidade dos ministérios, dos governos. O empresariado, o setor energético têm que ser mais amplamente envolvidos”, opinou.

Cerca de 250 lideranças do setor ambiental, entre eles 11 integrantes do IPCC, contemplados recentemente com o Prêmio Nobel da Paz 2007, estão no Rio para discutir o tema das mudanças climáticas.

 

Para pesquisador, enfrentar mudança de clima na América Latina pede modelos próprios

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

A previsão de cenários específicos sobre os impactos das mudanças climáticas na América Latina ainda depende da elaboração de modelos que levem em conta as realidades socioeconômicas do continente. “Precisamos ser vistos”, afirmou o pesquisador peruano Eduardo Calvo, um dos membros do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), durante encontro internacional de pesquisadores do painel e ambientalistas mo Rio de Janeiro.

De acordo com o pesquisador, os cenários atuais de análise dos impactos dos riscos do efeito estufa – produzidos principalmente a partir da Europa e dos Estados Unidos – não consideram diferenças internas do continente latino-americano, como a grande desigualdade social e a distribuição das populações, por exemplo.

Calvo aposta na parceria entre nações em desenvolvimento, os chamados acordos Sul-Sul, como forma de viabilizar mudanças estruturais e diminuir a dependência de modelos “importados” para estudar os impactos das variações climáticas no continente.

“A solução não vai vir dos países do Norte, que sempre vão nos colocar como ‘o resto do mundo’; precisamos da ajuda do Norte, mas nosso futuro deveria estar em nossas mãos”, defendeu.

“Precisamos juntar esforços nacionais, usar novos modelos e avaliar possibilidades conjuntas. O nível de representação da América Latina deixa a desejar. É necessário maior esforço de pesquisa e desenvolvimento”, acrescentou o também membro do IPCC Emilio La Rovere, professor da Coordenação de Pós Graduação da Universidade do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Na avaliação de La Rovere, o Brasil tem uma posição privilegiada em relação a outros países latino-americanos por já executar, de maneira significativa, algumas ações que contribuem para mitigação de gases do efeito estufa. O pesquisador citou os investimentos brasileiros em biocombustíveis e o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia (Procel), entre outros exemplos, como iniciativas relevantes em relação às mudanças do clima.

La Rovere calcula que, graças a essas medidas, o Brasil conseguirá reduzir em 14% o nível de emissões até 2020. Segundo ele, esse percentual pode chegar a 29% com a consolidação dos programas e a adoção de soluções complementares, como o incentivo à produção e consumo de carros bicombustíveis, os chamados modelos flex.

“Nós podemos demonstrar que não estamos parados, temos esforços de mitigação mesmo sem obrigações no âmbito da convenção”, destacou.

O evento na capital fluminense é organizado pelo governo do Rio e pela Companhia Vale do Rio Doce.

 

Pesquisadores pedem urgência para políticas que atenuem efeito estufa

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Pesquisadores brasileiros defenderam hoje (26) a adoção rápida de políticas públicas de mitigação de gases de efeito estufa no país, durante o primeiro encontro do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, na sigla em inglês) na América Latina.

“O Brasil deve ter um plano de ação de mudanças climáticas, independente de metas [de redução de emissões de gases de efeito estufa no âmbito do Protocolo de Quioto], que é questão de política externa”, defendeu o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, professor Luiz Pinguelli Rosa.

“Temos que trabalhar em modelos que possam ser replicados para estimular iniciativas internas, independentemente de adesão ou não a metas”, acrescentou o secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas de São Paulo, Fábio Feldman.

Ele citou alternativas adotadas na capital paulistana, como o estímulo à prática da carona, para reduzir a frota de veículos nas ruas – um dos principais fatores de emissão de gases de efeito estufa em São Paulo – e a criação de mecanismos para viabilizar a sustentabilidade em empreendimentos da construção civil.

A pesquisadora Diana Urge-Vorsatz, integrante do IPCC, apresentou estudos sobre o potencial de mitigação em construções, com medidas de eficiência energética. Entretanto, segundo a pesquisadora, a adoção dessas medidas ainda esbarra em barreiras financeiras e regulatórias, por exemplo, o que demanda o estabelecimento de políticas para viabilizar esses processos.

Na avaliação de Feldman, os resultados apresentados pelos relatórios do IPCC, em especial, o último, elevaram “o patamar de consciência” da sociedade sobre os problemas do aquecimento global. “O desafio agora é saber como vamos conseguir traduzir essa consciência em políticas públicas”, ponderou.

Além de integrantes do IPCC, o evento internacional, realizado pela Secretaria de Estado e Meio Ambiente do Rio de Janeiro e pela Companhia Vale do Rio Doce, reúne cerca de 250 ambientalistas para debater as recentes conclusões sobre o aquecimento global e seus impactos.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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