Lula assume uma forte posição em negociações sobre o clima

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Lula assume uma forte posição em negociações sobre o clima

Vamos analisar uma recente notícia em que o presidente Lula descreve exatamente o objetivo de que não basta apenas escrever, temos que agir.

04 de junho de 2007

Lula rejeita proposta de Bush de negociações paralelas sobre clima

Presidente só aceita acordo na ONU e pede que Washington “assuma mais responsabilidades”

Efe-AE

LONDRES – Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou as propostas do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de iniciar negociações paralelas globais para combater a mudança climática, informa nesta segunda-feira, 4, o jornal The Guardian.

Em entrevista ao jornal britânico durante sua visita de sexta-feira a Londres, Lula insistiu em que os países chegaram a um acordo sobre o clima nas Nações Unidas e não sob a liderança dos EUA.

Posição semelhante já havia sido defendida, na última semana, por lideranças européias, e foi reafirmada, também nesta segunda-feira, 4, pela chanceler alemã Angela Merkel, na revista Der Spiegel.

O presidente disse que o Brasil nem sequer foi informado de que Bush contemplava um novo marco de negociação antes do anúncio da última quinta-feira.

O presidente dos Estados Unidos propôs que os países que mais poluem no mundo determinem antes de 2009 uma meta a longo prazo para as emissões de gases do efeito estufa.

“A posição do Brasil é clara (…) Não posso aceitar a idéia de que temos de criar outro grupo para discutir os mesmos assuntos que discutimos em Kyoto e não foram cumpridos”, disse Lula.

“Se existe um fórum multilateral (pela ONU) que toma uma decisão democrática (…) então nós deveríamos trabalhar para cumprir essas regras (em vez de) simplesmente dizer que não está de acordo com Kyoto e que vai criar outra instituição”, ressaltou.

O Guardian comenta que a Administração Bush quer Lula como aliado, já que o presidente brasileiro é visto como uma alternativa de centro-esquerda na América Latina contra o antiamericanismo dos presidentes de Cuba e Venezuela, Fidel Castro e Hugo Chávez, respectivamente.

Lula qualificou a posição de Bush de “voluntarismo”, uma referência de que os EUA se inclinam pela vontade das nações em vez das instituições globais estabelecidas e dos compromissos vinculativos, assinala o jornal britânico.

“Não podemos permitir que o voluntarismo supere o multilateralismo”, afirmou.

“Estou aberto para conversar com o presidente Bush (…) Nunca me negarei a discutir uma idéia, mas deveríamos respeitar as decisões que foram tomadas nos foros multilaterais”, acrescentou.

“Se os EUA são o país que mais contribui para os gases do efeito estufa no mundo, deveriam assumir mais responsabilidades para reduzir as emissões”, ressaltou.

O Guardian lembra que Lula será um dos presidentes dos países em vias de desenvolvimento que se unirá nesta semana à cúpula do G8, na Alemanha.

Rodada de Doha

Em relação à rodada de Doha de comércio, Lula disse que o momento decisivo chegará nas próximas semanas.

“Acho que algo tem de acontecer este mês. Se nada acontecer, entraremos para a história como uma geração de políticos que falhou com a humanidade, especialmente com os pobres”, disse.

“Se não houver um acordo na rodada de Doha, será inútil falar sobre luta contra o terrorismo, inútil combater o crime organizado, porque a pobreza é a principal semente para o crescimento do terrorismo”, acrescentou.

O mais importante no mundo, além do comércio, é a mudança climática, afirmou.

“Na rodada de Doha, quero resolver os assuntos de hoje e de amanhã. Sobre os assuntos do clima, tenho que resolver o problema do planeta Terra, o único que conhecemos no qual podemos sobreviver… Portanto, por Deus, cuidemos do planeta Terra”, concluiu o presidente.

Estado de S. Paulo

O presidente dos Estados Unidos propôs que os países que mais poluem no mundo determinem antes de 2009 uma meta a longo prazo para as emissões de gases do efeito estufa.

“A posição do Brasil é clara (…) Não posso aceitar a idéia de que temos de criar outro grupo para discutir os mesmos assuntos que discutimos em Kyoto e não foram cumpridos”, disse Lula.

Como já discutimos neste artigo passado, devemos aplicar as soluções tão discutidas em prol ao meio ambiente, e não só ficar renovando as estratégias para reduzir o aquecimento global. É certo que serão discutidas idéias semelhantes às idéias abordadas para o protocolo de Kyoto, mas dessa vez são propostas mais radicais e a longo prazo, como um projeto já adotado pelo Japão (“Esfriar a Terra 50”) que tem como objetivo reduzir 50% das emissões de gases que intensificam o aquecimento global até 2050. Mas as idéias em prática serão comuns as que já foram planejadas e pouco cumpridas no protocolo de Kyoto, mas agora tudo indica que além de serem mais radicais e a longo prazo devido até o próprio agravamento dos problemas climáticos, teremos participação de países como EUA e China que são os maiores poluidores e não haviam assinado o acordo do Kyoto.

“Se existe um fórum multilateral (pela ONU) que toma uma decisão democrática (…) então nós deveríamos trabalhar para cumprir essas regras (em vez de) simplesmente dizer que não está de acordo com Kyoto e que vai criar outra instituição”, ressaltou.

Resumindo, agora não é possível mais enrolar com questões ambientais. Isso não é brincadeira, os problemas ambientais como aquecimento global, escassez de água, são provavelmente, a pior das situações já enfrentadas pela humanidade. Vamos aguardar a conclusão dos novos acordos que serão realizados na cúpula dos G8 em relação ao aquecimento global, iremos analisar essas “novas” metas, e não devemos ficar esperando por ações, devemos pressionar para que essas metas sejam aplicadas imediatamente, para que se alcance o objetivo. Caso contrário, poderemos interpretar como uma saída que encontraram para não assumir que pouco foi atingido com o protocolo de Kyoto, então decidiram agora fazer metas a longo prazo, de forma a dizer que o protocolo de Kyoto será estendido o prazo e objetivos, assim se não cumprirem essas metas, vai demorar para as críticas surgirem.

Infelizmente se esse é o pensamento, devemos ficar ainda mais preocupados, pois se começarem a pressionar só quando atingir o final dessas metas a longo prazo (por volta de 2050) devido a não atingir os objetivos, estaremos nessa com grandes possibilidades de termos um problema que não terá mais solução.

“Acho que algo tem de acontecer este mês. Se nada acontecer, entraremos para a história como uma geração de políticos que falhou com a humanidade, especialmente com os pobres”, disse.

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O mais importante no mundo, além do comércio, é a mudança climática, afirmou.

“Na rodada de Doha, quero resolver os assuntos de hoje e de amanhã. Sobre os assuntos do clima, tenho que resolver o problema do planeta Terra, o único que conhecemos no qual podemos sobreviver… Portanto, por Deus, cuidemos do planeta Terra”, concluiu o presidente.

O presidente Lula tem razão sobre estas afirmações, e é de extrema importância este posicionamento do governo brasileiro, demonstrando que estamos desejando ações e não só planejamentos, reuniões, até porque escrever metas ambiciosas para serem cumpridas é fácil, agora atingi-las é onde vemos a dificuldade, mas teremos de superar.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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