Modernização pode reduzir impactos das mudanças climáticas na agricultura

Todos os dias publicamos novos conteúdos e conquistamos um número cada vez maior de usuários. A equipe do portal AMA agradece a todos os usuários que acessam constantemente este site, que já é uma referência nacional sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. E lembre-se, não basta apenas conhecer os problemas, é necessário agir! Cada um fazendo sua parte, de forma consciente, ajuda a melhorar o ambiente em que todos nós vivemos.

Modernização pode reduzir impactos das mudanças climáticas na agricultura

Avanço da agropecuária ameaça unidades de conservação, diz procurador

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

O avanço da produção agropecuária em direção ao sul do Pará e a ocupação desordenada de terras públicas no estado, inclusive em unidades de conservação ambiental, ameaçam a chamada Terra do Meio, em plena floresta amazônica.

Para representantes do Ministério Público Federal (MPF), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da própria Secretaria de Meio Ambiente do Pará, além de regulamentar o uso das unidades e intensificar a fiscalização, é necessário enfrentar os problemas fundiários para impedir os abusos cometidos na região.

“Há um avanço da pecuária que começa a atingir a Terra do Meio, tanto as unidades de conservação quanto as áreas próximas a elas. Também temos constatado a presença ilegal de pecuaristas”, afirma o procurador da República no estado, Ubiratan Cazetta. “Não há servidores em número suficiente para fiscalizar [as unidades de proteção] e nem mesmo uma definição em relação a como a área deve ser utilizada. Se não houver uma resposta rápida, a falta de infra-estrutura pode tornar inútil a criação das unidades”, conclui Cazetta.

“Mesmo nas unidades de uso sustentável que possibilitam algum tipo de atividade econômica são permitidos apenas a exploração extrativista ou o manejo racional de florestas. Em nenhuma delas é permitida a produção extensiva de gado. Quando muito, apenas uma ou outra cabeça para subsistência familiar”, diz o procurador.

Cazetta afirma que os conflitos sociais vêm aumentando nos últimos anos, já que a degradação da floresta ameaça as populações tradicionais (indígenas, ribeirinhos e outras pessoas que habitam a região há muito tempo, vivendo de um extrativismo não-predatório). “As pessoas acabam expulsas de suas áreas pela indústria madeireira ilegal, que está à frente do desmatamento. Depois que a madeira é retirada, os espaços já degradados viram grandes plantações de soja e, por fim, pastos. O madeireiro, a esta altura, já partiu à procura de novas terras”.

Localizada entre os rios Xingu e Tapajós e cercada por unidades de conservação e áreas indígenas, a Terra do Meio é considerada um oásis de proteção ambiental devido à riqueza de sua biodiversidade. Também é cobiçada por guardar a maior reserva de mogno do planeta, madeira de grande valor econômico.

Ao todo, a Terra do Meio compreende uma área de 8,5 milhões de hectares e não deve ser confundida com a Estação Ecológica Terra do Meio, uma das unidades de conservação que compõe o chamado mosaico, ao lado do Parque Nacional da Serra do Pardo, da Área de Preservação Ambiental Triunfo do Xingu, da Floresta Estadual do Iriri, das Reservas Extrativistas do Iriri, do Riozinho do Anfrísio e do Médio Xingu, e das terras indígenas Xipaya e Kuruaya.

 

Estudo mostra que mudanças climáticas podem agravar fome no mundo

Marco Antônio Soalheiro
Colaboraram Luana Lourenço e Paula Laboissière
Repórteres da Agência Brasil

As mudanças climáticas poderão, já nas próximas duas décadas, ter efeitos negativos profundos sobre a agricultura e o sistema de alimentação, com consequências graves especialmente para os países mais pobres. É o que aponta artigo publicado na edição da Revista Science do dia 1º deste mês.

O autor principal do estudo detalhado é David Lobell, do Instituto Woods para o Meio Ambiente, da Universidade de Stanford. No boletim eletrônico da Science , assinam o texto Molly Brown, da Agência Espacial Norte Americana (Nasa), e Christopher Funk, da Universidade da Califórnia.

“O aumento das temperaturas e o declínio das precipitações nas regiões semi-áridas vão reduzir os rendimentos do milho, trigo, arroz e outras culturas primárias. As mudanças podem ter impacto substancial na segurança alimentar global”, destaca a publicação.

Eventos naturais como o aquecimento do Oceano Índico e o agravamento do fenômeno El Niño deverão, segundo os autores do estudo, reduzir as temporadas de chuva nas Américas, África e Ásia, onde comunidades já têm sofrido, desde 1990, com o aumento dos preços das commodities (produtos primários negociados em bolsas de mercadorias) e o declínio da área per capita cultivada .

Os cientistas garantem já ser possível projetar uma situação de insegurança alimentar consolidada. “Muitos fazendeiros consomem seus próprios produtos e vendem nos mercados locais. Expostos às variações climáticas, produzem menos, a renda diminui e aumentam os custos de manutenção do consumo básico. A fome em larga escala pode acontecer mesmo se houver comida nos mercados, importada de outros lugares”, explicam no estudo.

Como milhões de pessoas sobrevivem com o que produzem, o estudo sustenta que “provavelmente haverá mais fome” se as mudanças climáticas reduzirem a produção e a população aumentar. Países de pequeno orçamento que tiveram a receita nacional afetada pela seca já enfrentam mais dificuldade de comprar grãos no mercado internacional.

Browm e Funk citam o exemplo da Tanzânia, onde o acesso à comida para os pobres foi reduzido em função de recentes aumentos do preço de grãos. E, ressalta a publicação, o país da África Oriental ainda teria que “competir pelo milho” com a produção de etanol e com criadores de suínos nos Estados Unidos.

Combinados com a produção reduzida, o aumento dos preços do óleo, a globalização do mercado de grãos, o aumento da demanda por biocombustíveis e o aumento do consumo per capita na Índia e na China foram citados como fatores agravantes. “Estas mudanças podem elevar o custo dos alimentos em 40% ou mais em muitas áreas de insegurança alimentar”.

 

Só modernização pode reduzir impactos das mudanças climáticas na agricultura, diz estudo

Marco Antônio Soalheiro
Colaboraram Luana Lourenço e Paula Laboissière
Repórteres da Agência Brasil

Os impactos das mudanças climáticas nas próximas décadas para os produtores rurais vão variar conforme o tipo de tecnologia em cada região. É o que concluem os cientistas Molly Brown, da Agência Espacial Norte Americana (Nasa), e Christopher Funk, da Universidade da Califórnia, em artigo publicado na Revista Science do último dia 1º. O texto analisa pesquisa produzida em conjunto por profissionais da Universidade de Stanford, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica.

A sofisticação tecnológica é apontada como fator determinante para uma produção mais resistente às questões climáticas e agrícolas: “Insegurança alimentar, portanto, não é produto somente do determinismo climático e pode ser abordada por melhorias na economia e políticas agrícolas em escalas local e global”.

O artigo destaca uma diferença “extrema” de produtividade entre fazendas que utilizam técnicas de plantio manuais e outras que trabalham com fertilizantes à base de petróleo, pesticidas, mecanização e biotecnologia. Os fazendeiros mais pobres têm um sistema agrícola simples e teriam dificuldade em responder de forma eficiente aos impactos das mudanças climáticas.

“Esta deficiência pode ser agravada por políticas macroeconômicas que criam desestímulos ao desenvolvimento da agricultura, como os subsídios nos Estados Unidos e na Europa e programas de transferência de dinheiro pobremente implantados”, lembram Brown e Funk.

Uma das estratégias sugeridas às comunidades pobres no estudo seria a substituição da produção de milho por sorgo, que requer menos água e tem maior tolerância ao clima quente e seco. Ações de governo, como aperfeiçoar o monitoramento climático e sistemas de alertas preventivos, seriam importantes para reforçar programas de desenvolvimento da agricultura.

O estudo diz que as mudanças climáticas podem provocar redução significativa da produção global de milho, trigo e arroz. Os reflexos seriam sentidos na queda de rendimento de comunidades “subalimentadas” e no aumento do preço das commodities (produtos primários negociados em bolsas de mercadorias).

Mas os cientistas apontam uma saída: “A produtividade agrícola muito baixa em países com insegurança alimentar representa uma grande oportunidade. Transforme este sistema de agricultura através de sementes melhoradas, fertilizantes, uso da terra e governança, e a segurança alimentar pode ser atingida por todos.”

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

Deixar uma Resposta

Você precisa estar logado para publicar um comentário.