Movimentos pedem que transgênicos sejam proibidos no semiárido nordestino

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Movimentos pedem que transgênicos sejam proibidos no semiárido nordestino

Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) entregaram sexta-feira, 17, uma carta intitulada “Por um semiárido livre de algodão transgênico” à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) durante audiência pública que debateu as diferentes opiniões da sociedade sobre a liberação de novas variedades de algodões transgênicos.

No documento, os movimentos pedem que toda a região do semiárido nordestino seja deixada fora da área de zoneamento permitida à plantação de transgênicos. Um tipo de algodão modificado geneticamente já foi liberado pela CTNbio e outros três estão sendo analisados.

A coordenadora-executiva da Asa em Paraíba, Vanúbia Martins, conta que 400 famílias de agricultores do semiárido desenvolvem técnicas agroecológicas (sem uso de agrotóxicos). Os agricultores do Nordeste “plantam algodão de forma ecológica, sabendo de todos os índices de praga. O Nordeste tem uma incidência imensa de algodão nativo. Isso emprega outras 800 famílias de clubes de mães e cooperativas que estão trabalhando sem risco nenhum de contaminação. Sem contar os agricultores que trabalham com algodão orgânico que já nasce colorido”.

O primeiro motivo para continuar plantando algodões sem agrotóxicos é econômico. “A Europa hoje paga muito mais caro pelo algodão agroecológico. Esses agricultores têm mercado certo e o algodão vale três vezes mais que o orgânico”, explica a coordenadora paraibana. Além do mercado já consolidado, a produção de transgênicos acarretaria no pagamento a empresas internacionais pelo uso da tecnologia. “Tem agricultor que tem um hectare. Como ele vai fazer para pagar royalties?”, questiona.

Outro argumento usado contra o algodão transgênico é a própria proteção ao meio ambiente já que uma planta geneticamente modificada pode “contaminar” outras plantas próximas, modificando-as também. “Se o meu algodão, produzido ecologicamente for contaminado, num segundo momento eu teria que forçosamente voltar a usar o agrotóxico”, argumenta Vanúbia Martins.

Além disso, “mais de 170 espécies de animais visitam os algodoeiros na época de flora. Imagina você ter controle de todos os insetos que passam por isso e que viajam podendo contaminar um campo a longa distância! Ou eliminamos de vez todos os insetos pra poder fazer uma barreira ou estamos todos contaminados”.

Por todas essas causas, os movimentos sociais querem que o governo “reveja a área de zoneamento e todo o semiárido seja uma área de exclusão. Queremos continuar produzindo ecologicamente e, para isso, o direito de não sermos contaminados”.

Já os agricultores da Cooperativa Copasul Agrícola Navirai do Mato Grosso do Sul fizeram uma caravana até Brasília par participar da audiência pública em defesa dos transgênicos. O produtor Donizete pereira Melo tem 192 hectares de terra no Mato Grosso do Sul. Há um ano, parte da produção de soja, milho, feijão e algodão é geneticamente modificada.

O agricultor gostou dos resultados. “Não afeta a produção e pelo que constatamos não faz mal a saúde. Usa 50% do agrotóxico que a gente usa nos orgânicos. Eu já tenho exame médico e a doutora já me proibiu de usar veneno porque o meu nível de veneno no sangue já está alto. A gente economiza no uso de herbicida e o preço das sementes transgênicas e orgânicas estão mais ou menos a mesma coisa”.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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