Na Indonésia, negociações sobre aquecimento continuam

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Na Indonésia, negociações sobre aquecimento continuam

Dez anos do Protocolo de Quioto têm bolo de aniversário gigante em Bali

Luana Lourenço
Enviada especial

A Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13) lembrou hoje (11) os dez anos do Protocolo de Quioto, marco do atual regime global de mudanças climáticas. Como parte da comemoração, os ativistas da organização não-governamental (ONG) Greenpeace ofereceram um bolo de aniversário gigante.

Criado em 1997, o acordo determina que as nações industrializadas devem reduzir, até 2012, as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 5% abaixo dos níveis registrados em 1990.

Ratificaram o tratado e criaram metas 37 países desenvolvidos – incluindo a Austrália, que anunciou a adesão há uma semana – e a Comunidade Européia. O maior poluidor do planeta, os Estados Unidos, se recusou a assinar o acordo. Os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, não têm metas no âmbito do protocolo.

“Do ponto de vista de emissões, Quioto é um acordo pífio, que só representará a reduçao de 4% do que seria necessário”. A avaliaçao é do autor de um dos capítulos mais importantes do Protocolo, o que trata da redução de emissões de gases de efeito estufa por países industrializados, professor Luiz Gylvan Meira Filho.

Ex vice-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e atualmente vinculado ao Instituto de Estaudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Gylvan Meira acredita que, passados dez anos dos acordos de Quioto, os resultados positivos do Protocolo estão principalmente nos mecanismos de mercado criados pelo documento.

“O lado bom de Quioto é que a inovação que ele introduziu nas negociações internacionais, com instrumentos como o MDL [mecanismo de desenvolvimento limpo] tem se mostrado importante para o engajamento do setor privado”, apontou.

Para o próximo período de comprmisso dos países – a partir de 2012 – Gylvan Meira aposta na continuaçao de Quioto somada a um novo mecanismo para incluir compromissos de redução para os países em desenvolvimento e para os Estados Unidos.

O embaixador argentino Raul Estrada, principal negociador do Protocolo em 1997, afirmou que para o futuro é preciso ampliar a discussão sobre as responsabilidades das nações e suas contribuições para combater o aquecimento do planeta.

“Não faz sentido essa discussão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre quem vai reagir primeiro. Países como China, India e Brasil terão que se comprometer mais. Todos estão sendo chamados a participar de um tema que é global, estratégico e humanitário, porque estamos perto de uma crise que pode afetar a todos”.

 

Amorim quer criar “clima positivo” para negociações sobre aquecimento

Luana Lourenço
Enviada especial

“Queremos criar um clima positivo entre os países”. A afirmação foi feita hoje (11) pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, depois de anunciar que convidou 15 países para um café da manhã nesta quarta-feira (12).

Entre os convidados estão os Estados Unidos, nações da União Européia, Índia e China, grandes protagonistas das negociações globais do futuro regime de mudanças climáticas que sucederá o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.

“O objetivo é aproximar o diálogo. As negociações não se encerram aqui[em Bali], temos que nos acostumar, trabalhar com uma geometria variável”, afirmou.

Para o ministro, o “senso de urgência” da 13ª Conferência da Partes sobre o Clima (COP-13), que termina na próxima sexta-feira (14), não pode criar uma “atmosfera de confrontação” entre os países.

“Temos dois anos e não dois dias”, afirmou, em referência ao prazo que deverá ser estabelecido no Mapa do Caminho, roteiro que provavelmente sairá da reunião de Bali para a negociação do documento que sucederá o Protocolo de Quioto até 2009.

Amorim adiantou que seu discurso durante a abertura da etapa ministerial da COP, amanhã (12), vai enfatizar a posição brasileira contrária a inclusão de mecanismos de mercado como forma prioritária de lidar com a questão de emissões de gases de efeito estufa.

“Mecanismos de mercado são ótimos, devem ser usados, mas não são uma panacéia, não resolvem todos os problemas; as responsabilidades são comuns e diferenciadas mas são também representados de maneira primordial pelos governos e as instituições internacionais”.

Hoje, o grupo de trabalho criado para discutir a redução de emissões por desmatamento – um dos principais temas da agenda brasileira em Bali – chegou a um consenso e acordou um texto que será apresentado ao órgão subsidiário de assessoramento técnico e científico da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Na prática, o sucesso nesse acordo estabelece as bases para a negociação internacional do assunto.

“A questão não se encerrou nessa decisão, foi o primeiro passo num tema extremamente complexo. Como estamos tratando de temas técnicos, é necessário muitas vezes que se desenvolvam tecnologias capazes de permitir a formulação de projetos”, apontou o subsecretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, chefe da delegação brasileira em Bali, embaixador Everton Vargas.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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