ONG quer estimular consumidor europeu a consumir sem prejudicar a Amazônia

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ONG quer estimular consumidor europeu a consumir sem prejudicar a Amazônia

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

A Holanda é um dos maiores importadores da soja brasileira. Para abastecer esse mercado, o Brasil precisa utilizar 25,3 milhões de hectares – uma área cuja dimensão supera a metade de todo o território holandês. Boa parte dessa soja, entretanto, tem a função de alimentar o gado do país.

Ao tomar consciência dessa realidade, a filial holandesa da organização não-governamental WWF encomendou, no Instituto Copérnico da Universidade de Utrecht, o estudo Mantendo a Floresta Amazônica em Pé: Uma Questão de Valores. A idéia é mostrar que a destruição da Região Amazônica pode ser contida se for dado um estímulo financeiro à manutenção dos serviços ecológicos prestados pela floresta. Para tanto, o estudo defende a conscientização do consumidor europeu.

“Nós queremos mudar o paradigma de que quem desmatou a Amazônia foram apenas os brasileiros. Diversos outros países também deram sua contribuição para o desmatamento chegar no ponto em que se encontra. O intuito desse estudo em especial é estimular o holandês a um consumo mais responsável, e mostrar que ele também tem uma parcela de culpa no processo de devastação da Amazônia”, explica o coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da WWF Brasil, Mauro Armelin.

“Queremos que ele busque saber mais sobre a origem do produto que ele consome e procure consumir produtos que obedeçam a lei trabalhista brasileira e as legislações ambientais. Principalmente o Código Floresta. É uma oportunidade para que aqueles que fazem parte do problema também façam parte da solução”, completa Armelin.

Para isso a WWF defende a criação de uma certificação dos produtos derivados da agricultura e da pecuária, a exemplo do que já ocorre com a madeira brasileira. “Ainda estamos discutindo os critérios para essa certificação, e acredito que ela não sairá tão cedo. Isso significa que, por enquanto, este consumidor encontra dificuldades para saber a origem dos produtos brasileiros que consome.”

Armelin explica que 80% de toda madeira produzida na Amazônia tem algum problema de ilegalidade em sua cadeia de produção. A legalização juntamente com a certificação aumenta, segundo ele, o custo da madeira em até 20%.

Mas o estudo também objetiva a conscientização da população da Amazônia sobre o potencial econômico oferecido por meio da comercialização dos serviços prestados pelos ecossistemas da Amazônia. Segundo o coordenador da WWF, “a população não vê cifrão na floresta. Vê no gado, nas madeiras e na agricultura. Ao tentarmos quantificar produtos não-palpáveis da região, como carbono, água, chuva e a erosão evitada, mostramos que a floresta tem um valor maior do que esses três elementos”.

Ele explica que só a retenção de gás carbônico feita por árvores pode render anualmente entre US$ 70 e US$ 100 por hectare. E não é só. Cada hectare de produtos florestais não-madeireiros podem render, por ano, entre US$ 50 e US$ 100. A prevenção das erosões poderia gerar uma renda anual de US$ 238 por hectare, e a prevenção de incêndios, US$ 6 por hectare/ano.

A dispersão do pólen nas plantações de café no Equador, que é feita pelos insetos originários das florestas tropicais, renderiam a cada ano US$ 49 por hectare. Produtos como mel, frutos florestais e cogumelos representariam um valor aproximado de US$ 50 a R$ 100 por hectare a cada ano. Já as atividades recreativas e de ecoturismo, entre US$ 3 e US$ 7 por hectare/ano.

O estudo vai além e compara esses números a outras práticas econômicas que colaboram com a destruição das florestas tropicais, como a produção predatória ou não-sustentável de carne e soja, principais produtos importados pela Europa. A pecuária extensiva gera anualmente de US$ 31 a US$ 89 por hectare, e a soja, de US$ 179 a US$ 366.

Agência Brasil

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  1. Anderson Souza Figueiredo MundialFood Consultoria
    Anderson Souza Figueiredo MundialFood Consultoriafev 11, 2009

    Como especialista em Direito Ambiental posso afirmar que normas de comando e controle para a Amazônia não terão um papel importante na conquista de mercados internacionais e nem tampouco em uma caracterização “sustentável” dos produtos produzidos na Amazônia. A verdadeira blindagem sustentável dos produtos dessa região se dará através de sistemas de certificação do mercado e para o mercado, com auditorias independentes e de terceira parte.
    Hoje já existe um padrão mundial de produtos que são produzidos com responsabilidade social, ambiental e boas práticas agrícolas. Chama-se: GLOBALGAP/EUREPGAP. Atualmente essa é a única certificação com credibilidade internacional, criado pelo próprio mercado consumidor. Alguns produtores brasileiros de frutas do nordeste, café em Minas Gerais, bovinos em São Paulo e soja em Mato Grosso utilizam essa importante certificação. Esse padrão foi criado pelo mercado varejista e alguns países como Colômbia, Chile, México, Tailândia, EUA e Japão já a utilizam como padrão de certificação nacional para os seus produtos, dando assim credibilidade no momento de comercialização. Acredito que outras iniciativas para a certificação de produtos estão sendo discutido, porem quem dita às regras hoje é o mercado consumidor. Portanto adotar um sistema criado pelo consumidor, que já contempla questões sociais e ambiental é a forma mais inteligente de conquistar mercados mais exigentes. O trabalho de conscientização realizado pelas ONGs é muito importante, contudo temos que evitar criar novos controles mercadológicos que não tenham representação e importância para o mercado consumidor. Temos que trabalhar em cases de sucesso já consagrado e que tenham credibilidade.

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