

País alcança meta do milênio para oferta de água encanada
Domingo, 26 de Outubro de 2008
Categoria(s): Auto-suficiência, Desenvolvimento sustentável, Notícias, Pesquisas/estudos, Recursos naturais
|-> Publicado por: Maurício Machado
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
O Brasil alcançou este ano a meta do milênio referente à oferta de água potável em áreas urbanas, de acordo com dados divulgados terça-feira (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As informações fazem parte da Pnad 2007: Primeiras Análises, pesquisa que retrata quantos brasileiros ainda vivem em condições inadequadas de saneamento. Mesmo assim, o documento alerta para a existência de desigualdades regionais significantes no acesso a serviços como água encanada, esgoto e coleta de lixo.
De acordo com o estudo, 91,3% dos domicílios brasileiros já recebem água encanada por rede geral - meta prevista para ser alcançada até 2015, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). No total, porém, 13,8 milhões de pessoas - cerca de 375 mil a menos do que o registrado pela Pnad em 2006 - ainda não dispõem do serviço.
Entre 2006 e 2007, a Região Nordeste foi a que registrou o maior número de pessoas com acesso à água encanada (incremento absoluto) - cerca de 877 mil habitantes. A localidade foi eleita como prioritária para receber recursos orçamentários do governo.
Apenas no último ano, o Ipea mostra que foi possível levar água potável para quase 2,2 milhões de brasileiros - 2 milhões, em áreas urbanas, e 198 mil moradores de zonas rurais.
Entretanto, o sistema de água encanada está disponível para menos de 28% das pessoas que vivem em zonas rurais. Nessas regiões, segundo a Pnad, 58% da população ainda usa água de poço ou de nascente, e cerca de 39,3% não têm sistema de encanamento dentro de casa.
O Ipea alerta ainda que a média nacional pode “mascarar” a existência de “importantes desigualdades regionais e sociais”, uma vez que a meta de água potável para áreas urbanas foi alcançada em quatro das cinco regiões do país - a exceção é a Região Norte.
Além das desigualdades regionais, a pesquisa destaca também “níveis elevados” de desigualdade racial e socioeconômica no Brasil. Os níveis de cobertura de água encanada entre a população negra, parda ou de menor renda são inferiores aos encontrados entre brancos e os grupos mais abastados.

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