Países altamente poluidores selam acordo “mascarado”

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Países altamente poluidores selam acordo “mascarado”

Os seguintes países – EUA, China, Índia, Japão, Austrália e Coréia do Sul – que estão entre os maiores poluidores do mundo, selarem um acordo em separado do restante do mundo chamado de “Parceria do Pacífico e da Ásia para o Desenvolvimento Limpo e o Clima” que pretende criar um fundo para ajudar a desenvolver tecnologias de energia limpa.

O ex-vice-presidente norte-americano Al Gore criticou o acordo classificando como um pacto vergonhoso, afirmando que estes países precisam unir-se ao resto do mundo em um novo acordo de combate ao aquecimento da Terra. Já que esta atitude separada, provoca dúvidas podendo ser possíveis manobras para desviar de metas eficazes para combater o aquecimento global, servindo apenas aos interesses dos países industrializados por se tratar de um pacto entre os seis maiores usuários e exportadores de carvão do mundo, ou seja, parece ser um pacto para “não fazer nada”.

Ainda mais, analisando que EUA e Austrália foram países que rejeitaram o Protocolo de Kyoto que define como meta para países desenvolvidos reduzir suas emissões de gases do efeito estufa (originados principalmente da queima de combustíveis fósseis como derivados do petróleo e carvão) para um nível 5,2% abaixo do registrado em 1990, até 2012, quando o acordo deixa de vigorar. E China e Índia até ratificaram o Kyoto, mas como não são países desenvolvidos, não terão de fazer cortes obrigatoriamente.

Os EUA e a Austrália recusaram-se a ratificar o Protocolo de Kyoto argumentando falaciosamente ou duvidosamente que os cortes obrigatórios na emissão de gases do efeito estufa prejudicariam suas economias. Porém esta argumentação é inadequada, pois não se trata de parar de produzir ou não utilizar mais automóveis, o necessário é trocar as fontes de energia que são utilizadas, investindo em fontes limpas, como eólia e solar, que não emitem gás carbônico ou outros gases poluentes que intensificam o efeito estufa. Além disso, se continuar toda a poluição, será necessário investir muito mais na reconstrução de cidades possivelmente devastadas por grandes catástrofes provocadas pelo aquecimento global do que investir atualmente na mudança de fontes para geração de energia.

Argumentaram também que o acordo do Kyoto cometeu um erro ao não impor limites obrigatórios para grandes países em desenvolvimento, como a China e a Índia que também são altamente poluidores e isso certamente deverá ser reavaliado no próximo acordo, que tende a incluir todos os países em metas ambiciosas para redução nas emissões.

Segundo Gore, os EUA deparam-se com sua maior oportunidade de liderar, sendo um exemplo ao mundo de esforços para reduzir as emissões, mas até agora, continuam a ser os principais responsáveis pela emissão de gases que intensificam o efeito estufa.

Por isso, novas discussões, como a recente reunião dos G8, estão sendo realizadas para analisar o quadro atual dos problemas relacionados com mudanças climáticas para definir metas mais ambiciosas em um acordo pós-Kyoto para redução de gases causadores do efeito estufa que conseqüentemente elevam as temperaturas no planeta.

Em dezembro deste ano novas negociações, lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU), devem ser realizadas com o exato objetivo de discutir um pacto que substitua o atual protocolo de Kyoto, mas conforme informamos, desta vez com metas mais ambiciosas e que abranjam todos os países, principalmente os maiores emissores como EUA.

Shows “Live Earth” – Alerta sobre mudanças climáticas

Gore (um dos organizadores do evento) falou sobre os shows do Live Earth (http://liveearth.br.msn.com/) marcados para acontecerem simultaneamente neste sábado (7 de julho de 2007) em Johanesburgo, Londres, Nova York, Xangai, Sydney, Rio de Janeiro e Tóquio, que pretendem mobilizar pessoas do mundo todo a fim de que pressionem seus governos a adotar um novo tratado até 2009 – um pacto capaz de diminuir a poluição responsável pelo efeito estufa em 90% nos países ricos e, até 2050, em mais de 50% no restante do mundo. O evento programado para ocorrer no Rio de Janeiro, chegou a ficar temporariamente suspenso por uma liminar, devido a preocupações com falta de segurança por ser o único lugar em que o show será realizado gratuitamente e ao ar livre para atrair mais pessoas. Mas a questão já foi resolvida, e de acordo com propaganda que está sendo veiculada o Live Earth Rio, que ocorrerá na Praia de Copacabana, iniciará às 16 horas e está previsto até às 22 horas.

Não resta dúvida que os shows do Live Earth irão atrair milhares de pessoas, afinal, não é todo dia que se pode assistir um grande show com os artistas mais famosos do mundo apresentando-se ao vivo e no caso do Rio de Janeiro, ainda gratuito. É uma proposta interessante, mas provavelmente a fascinação irá parar no desejo simples de assistir aos shows ou no máximo conseguir conscientizar parte da platéia de que temos um grave problema para enfrentar, que é o aquecimento global. Mas sobre a proposta principal (que curiosamente parece até plágio de nossas idéias, mas isso por ser uma questão lógica que muitos radicais estão percebendo) para mobilizar pessoas a pressionarem autoridades. Mas essa idéia deve ser aplicada de forma eficaz, fazendo com que as pessoas de alguma forma chamem a atenção das autoridades, mostrando que a maior parte da população visa por mudanças para resolver problemas ambientais.

A diferença é que a mesma idéia exposta em um show irá chegar, anunciar suas intenções e passar, assim como passará pela cabeça das pessoas sem nenhuma ação. Já neste projeto, a idéia chegou pioneiramente, anunciamos suas intenções com conteúdos bem desenvolvidos, mas não passou.

Marcando conscientemente a memória de muitas pessoas, mas sem simplesmente parar em suas mentes, partiu-se para a ação, participando deste projeto, e diferente da proposta de mobilização exposta nos shows, aqui os usuários quando passam e participam, fazem crescer continuamente a idéia de pressionar as autoridades e estaremos cada vez mais próximos de atingir esse objetivo.

Pressionando as autoridades, fará com que a aplicação de soluções para minimizar a poluição descontrolada do planeta que é responsável por problemas como aquecimento global, buraco na camada de ozônio, intensificação de doenças, escassez de água, entre outros, saia finalmente do papel e seja desenvolvida para frear estes problemas.

Mas como já vimos no artigo anterior, EUA e China não são os únicos culpados pelo problema, pois todos aqueles que compram produtos desses países também são responsáveis pela elevada emissão de gases poluentes que são originados no desenvolvimento de produtos industrializados, como produtos que envolvem tecnologia (tv, computador, videogame, mp3 players) e muitos outros como roupas e calçados.

A maioria das fábricas que produzem estes produtos está instalada nos países altamente industrializados e atualmente os maiores emissores de gás carbônico principal componente que intensifica o efeito estufa. Como esses produtos são exportados para grande parte do mundo, todos que os compram, também são responsáveis, já que indiretamente incentivam essas indústrias e mantém um ciclo para dar continuidade a toda produção.

O que fazer então? Deixar de comprar? Certamente isso seria impossível, já que em um mundo onde a maioria das pessoas é consumista, retirando da lista comunidades indígenas ou que vivem da própria produção em suas terra (subsistência), geralmente em sítios que podem ser considerados como não consumistas. O restante, todos nós somos consumistas e dificilmente viveríamos sem os bens do mundo moderno.

Mas então como continuar a produção sem afetar esse nosso estilo de vida e ainda sem prejudicar economias e conseqüentemente o desenvolvimento dos países industrializados? A resposta é uma tão conhecida para leitores assíduos deste projeto e citada novamente neste artigo: investir em fontes de energia que não poluam.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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