Peixes-bois criados em cativeiro retornam à natureza

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Peixes-bois criados em cativeiro retornam à natureza

Amanda Mota

Repórter da Agência Brasil

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) reintroduz hoje (5) na natureza, no interior do estado, dois peixes-bois criados em cativeiro. Xibó e Mapixari, como são chamados, têm idade entre 8 e 9 anos. Os animais estão no instituto desde 1999 e 2000, respectivamente, e hoje pesam aproximadamente 135 quilos cada um.

Segundo o veterinário do Inpa Anselmo D’Affonseca, os bichos serão soltos na Reserva do Cuieiras, a 60 quilômetros ao norte de Manaus. Uma equipe de técnicos e pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos, da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) é responsável pelo transporte e soltura dos animais.

São cinco horas de viagem de barco, partindo de Manaus, até a reserva. O local foi escolhido para a reintrodução dos animais por ser uma reserva de proteção ambiental e pelo trabalho de conscientização e educação ambiental feito entre os ribeirinhos que vivem na região. Outra razão para a seleção da Reserva do Cuieiras é que não há prática de pesca de peixe-boi na área.

Com a liberação de Xibó e Mapixari, 40 peixes-bois continuarão em cativeiro no Inpa. Segundo Anselmo, a preparação dos animais para a soltura foi baseada no reforço da alimentação.

“Para fazer a soltura, é necessário anteriormente reforçar a alimentação para que o animal ganhe peso. Na natureza, diferentemente do cativeiro, ele terá que correr atrás para comer. Em geral, esses animais se alimentam muito na época de cheia dos rios e passam fome na seca, mas nesse período gastam a energia acumulada”, explicou.

Antes de serem libertados em Cuieiras, os animais ficarão abrigados por um dia em um tanque-rede. O objetivo da ação é promover sua completa adaptação ao local. Tudo será monitorado pelos pesquisadores. Depois de soltos, os animais poderão ser acompanhados pelos técnicos e pesquisadores do Inpa por meio de radiotransmissores instalados para pesquisa e proteção.

Esta é a segunda experiência de soltura de peixes-bois promovida pelo instituto. No ano passado, dois representantes da espécie também foram reintroduzidos em águas amazônicas, mas o monitoramento desses animais pelos radiotransmissores levou os cientistas a descobrir que um deles havia morrido.

“O rio estava baixando e ele ficou preso no local, entre algumas plantas. Como o rio baixou muito, ele ficou fora da água e por isso não sobreviveu. Com o radiotransmissor, conseguimos localizá-lo, mas já estava morto”, contou Anselmo.

Em entrevista à Agência Brasil, o veterinário do Inpa ressaltou que em algumas situações o peixe-boi pode ser uma presa fácil para quem quer capturá-lo. Na seca, por exemplo, esses animais ficam em áreas restritas e conhecidas pelos pescadores. Ele disse que a espécie pode entrar em extinção se não houver cuidado.

Em 20 anos, cerca de 200 mil animais da espécie foram mortos. Por ano, o instituto recebe, em média, cinco peixes-bois por ano para reabilitação.

“Trata-se de um animal de grande porte, mas com reprodução lenta. Infelizmente, é muito comum encontrar carne de peixe-boi em mercados da Amazônia. É uma pesca difícil, mas tem gente que continua resistindo nessa prática”, acrescentou.

O peixe-boi é um animal típico da Bacia Amazônica e só é encontrado em lugares que abrangem essa região hidrográfica, no Brasil e em algumas áreas do Peru e da Colômbia. O animal pode pesar até 500 quilos e viver por até 70 anos. O nascimento de um filhote de peixe-boi ocorre, em média, a cada quatro anos. Isso porque a gestação transcorre por um ano e a amamentação pode durar até três anos. Durante esse período, a fêmea não entra no cio e apenas um filhote de cada vez é liberado à natureza.

Agência Brasil

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