Plano Nacional de Mudança Climática

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Plano Nacional de Mudança Climática

Plano de mudança climática só prevê medidas voluntárias de redução de emissões

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

A versão prévia do Plano Nacional de Mudança Climática, apresentada hoje (25) pelos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, não determina metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa. As medidas serão todas voluntárias, tanto para o governo quanto para o setor produtivo. O documento passará por consulta pública antes de ser enviado à sanção presidencial.

Segundo Minc, apesar de não definir metas, o plano “tem objetivos” setoriais. “Ter meta é fácil, difícil é convencer os setores, ter recursos. Em suma, a gente sempre pode fazer uma meta mais ousada, mas temos que compatibilizar o que a gente quer com cada setor. É como dizem ‘tem que combinar com os russos’, com os setores que vão ter que adotar medidas para reduzir emissões”, justificou Minc.

Entre os mecanismos listados pelo plano para redução das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, principalmente do dióxido de carbono (CO2), estão programas de eficiência energética, estímulo à produção de energias renováveis, fortalecimento dos biocombustíveis e “ações agressivas” de reflorestamento.

Sem detalhar como, o plano estima que a Petrobras evitará a emissão de mais de 20 milhões de toneladas de CO2 até 2012. Outro avanço que o governo espera conseguir voluntariamente do setor produtivo é a substituição de carvão mineral por carvão vegetal – renovável, de madeira reflorestada – na indústria siderúrgica.

Entre as ações de eficiência energética, o plano lista programas governamentais que já existem, como o Programa Nacional de Energia Elétrica (Procel) e os incentivos para troca de geladeiras que ainda utilizam gás clorofluorcarbono (CFC).

Segundo a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn, apesar de não serem novidades, as medidas deverão ganhar efetividade com o plano. “Não adiantava ter os programas, se não eram implementados. O plano vai criar a obrigação de tirar essas ações do papel”, argumentou.

Não há previsão do custo total de implantação das medidas previstas pelo plano. De acordo com o documento, os instrumentos econômicos serão detalhados na segunda versão. A previsão é que os recursos venham do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do recém-criado Fundo Amazônia e de aportes da iniciativa privada.

 

Sem prazos para desmatamento zero, governo quer dobrar área reflorestada até 2015

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

O desmatamento é a principal fonte de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa do Brasil. Apesar de a devastação da mata contribuir com cerca de 75% do total desses gases lançados pelo país na atmosfera, o tema não teve prazos ou metas quantitativas de redução definidas pelo Plano Nacional de Mudança Climática, apresentado hoje (25).

O plano cita a busca pela “redução sustentada das taxas de desmatamento até que se atinja o desmatamento ilegal zero”, mas não faz nenhuma referência a data limite ou prazos a serem cumpridos.

Para recuperar as áreas já degradadas, a proposta é investir “em projetos agressivos de reflorestamento”, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “A partir de 2015 vamos estar plantando mais que derrubando”, calculou Minc.

O objetivo é chegar a 11 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil até 2015, o dobro da área atual. No entanto, apenas 2 milhões de hectares deverão ser reflorestados com vegetação nativa. A maior parte vai receber espécies exóticas, com fins comerciais, como eucalipto e culturas para produção de biocombustíveis, principalmente babaçu, dendê e pinhão manso.

Em relação ao estímulo à produção de etanol previsto pelo plano, Minc voltou a afirmar que o avanço da cana-de-açúcar não comprometerá áreas de preservação. A estimativa é dobrar a produção de álcool combustível até 2017 e chegar a 53,7 bilhões de litros anuais.

“Não vai ter um novo hectare de cana em área de produção de alimentos, na Amazônia e no Pantanal. Não há nenhuma possibilidade do nosso etanol não ser verde, senão será rejeitado”, apontou.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio Machado

Biólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.

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  1. Maurício Gomide
    Maurício Gomideset 26, 2008

    Segundo nos dá notícia Luana Lourenço, o Plano Nacional de Mudanças Climáticas cita a busca pela “redução sustentada das taxas de desmatamento até que se atinja o desmatamento ilegal zero” e, frisa a articulista, o plano não estabelece prazo. Digo eu: claro! não podem mesmo fixar prazo, pois o objetivo é REDUZIR TAXA DE DESMATAMENTO, o mesmo que diminuir a taxa de assassinato de pessoas de uma comunidade; sem parar de assassinar. É o mesmo que dizer: continuem desmatando, até não haver árvore nenhuma. Será o dematamento zero (ou assassinato zero) por absoluta falta de vítimas. Está implícita essa visão. Depois… bom, depois a receita e muito simples: reflorestar. Aí eu pergunto: onde fica o bioma? Quando se fala em floresta, está implícito o entendimento de existência de toda uma biodiversidade. Ali estão em equilíbrio as condições básicas para vivência de um mundo harmônico: Animais, plantas secundárias alimentícias, árvores de suporte e reguladoras de clima, insetos polinisadores, bactérias redutoras, enfim, um universo de agentes biomorfóticos milenar e único.
    Pelo plano, percebe-se a incompetência do Sr. Ministro do Meio Ambiente. Ou miopia ambiental, pois raciocina e argumenta em função de interesses comerciais. Árvore por árvore, significa madeira; e madeira é objeto de comércio e lucro. Em assunto tão vital para o planeta e a humanidade, requer-se não só conhecimento, entendimento, mas capacidade de sentir o problema ambiental. Sentir ou perceber problema ambiental é muito simples. Basta não desequilibrar o que a Natureza equilibrou, no seu trabalho evolutivo de milhões de anos.

  2. Maurí­cio Machado
    Maurí­cio Machadoset 27, 2008

    Maurício Gomide, achei excelente sua opinião crítica exposta em seu comentário sobre a notícia.

    A idéia de se fazer um reflorestamento planejado a fim de recuperar toda biodiversidade da fauna e flora para minimizar o risco de mais espécies entrarem em extinção é algo que desde o início desse projeto venho discutindo para alertar a população e buscar criticidade em planos governamentais que apresentam amplo interesse econômico na futura comercialização da madeira e não interesse ambiental, sendo este último o que realmente precisamos para manter o equilíbrio natural, como o senhor bem citou.

    Se desejar ler materiais complementares, segue abaixo dois links de notícias com minha opinião:
    http://amanatureza.com/conteudo/noticias/importancia-de-frear-o-desmatamento-e-incentivar-o-reflorestamento
    http://amanatureza.com/conteudo/noticias/aumenta-risco-de-extincao

    Muitas vezes, o que percebemos também é a mídia massiva ampliando destaque a ações medíocres do governo como se fossem soluções magníficas, quando na verdade há muito interesse comercial, tanto em audiência como em investidores externos para apoio a determinado programa ou mídia de veiculação.
    No artigo: Mídia mascarando a verdadeira causa, realizei algumas críticas que considero importantes para alertar a população sobre o tipo de informação que recebem.

    Para ler o artigo, acesse o link abaixo:
    http://amanatureza.com/conteudo/artigos/midia-mascarando-a-verdadeira-causa

    Maurício Gomide, agradeço-lhe por esse grande apoio na busca da conscientização das pessoas e tentativa de mudança para melhorarmos o atual quadro de constante degradação ao meio ambiente e insuficientes atitudes concretas para reverter esse problema, e então espero continuar recebendo sua contribuição crítica.

  3. Juan Carlos Ormachea
    Juan Carlos Ormacheaset 29, 2008

    O reflorestamento planejado visando recuperar toda biodiversidade da fauna e flora para minimizar o risco de mais espécies entrarem em extinção é algo de suma importância, mas como conseguir o equilíbrio entre o nº de arvores plantadas e o nº de arvores cortadas ou o nº de carros colocados diariamente em circulação. Os planos governamentais devem ser focados no interesse maior, o meio ambiente, os incentivos (fiscais) aos empresários que apresentam interesse, no equilíbrio natural.

    Os impostos deveriam ser diretamente proporcionais a contribuição dos índices de poluição que cada cidadão. Ex. seu carro polui acima dos índice permitidos, seu IPVA será maior, sua frota de ônibus polui menos conseqüentemente estará pagando menos IPVA.

    Tenho uma proposta para tanto.

  4. Maurí­cio Machado
    Maurí­cio Machadoset 30, 2008

    Juan Carlos, achei muito interessante sua visão, pois buscar e desenvolver soluções são itens fundamentais para realizar qualquer mudança e poder pressionar com alternativas sólidas os governantes para aplicação de novos métodos de controle para maximizar a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

    Se você desejar, pode apresentar sua proposta através de um comentário, ou ainda entrar em contato conosco para mais detalhes, caso tenha interesse em publicar materiais.

    Detalhes para contato:
    http://amanatureza.com/contato/

  5. mgomide4
    mgomide4out 01, 2008

    Entendemos que o segundo parágrafo do comentário do digno ambientalista Juan Carlos Ormachea contém um equívoco de visão. Seu raciocínio peca pela base. A idéia sugerida é formulada em função dos interesses econômicos, cultura estrutural que conduz todo o pensamento de quem ainda não se libertou do meio artificial em que vivemos. Ante uma ameaça tão grande, como a por que passa a civilização, temos que ser radicais e enxergar que a culpada básica dessa situação é justamente a estrutura fundada em posse de bens materiais, isto é, a ganância intrinseca do sistema econômico. As normas economicas são elaboradas em função de coisas estritamente materiais, entrando as qualificações do espírito humano apenas como item utilizável na estimulação do consumo. No caso comentado, não é pagando maior tributo que se resolve o problema ambiental. A questão primordial é eliminar o agente poluidor. Há mais dois equívocos na consideração. Os carros e ônibus não poluem; eles envenenam mesmo. Os agentes envenenadores não são os carros e os ônibus; são os que os controem. E os constroem em função do amor ao deus dinheiro. Aguardo seu pronunciamento, Juan Carlos.

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