Poucas chuvas neste verão e sensores para monitoramento em rios

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Poucas chuvas neste verão e sensores para monitoramento em rios

Até fevereiro, chuvas intensas só na Região Norte, prevê instituto

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima que apenas a Região Norte contará com chuvas mais intensas que o considerado normal para o final deste mês, em janeiro e fevereiro de 2008. Para o Nordeste, a previsão é de normalidade no período e apenas em alguns pontos as chuvas estarão abaixo do normal.

No Sul, as chuvas vão ficar abaixo do normal nos dois primeiros meses do ano, de acordo com o instituto. Nas demais regiões, a tendência é de que ocorram dentro da normalidade para o período. A temperatura deve continuar com valores acima do normal na Região Sul e em parte do Sudeste até o fim de fevereiro, devendo se comportar de forma normal nas demais áreas do país.

As previsões do Inmet se baseiam nas tendências determinadas pela influência das queimadas e ou pela movimentação do fenômeno La Niña, que atua desde o mês de abril em fase madura sobre os campos oceânicos e atmosféricos na área do Pacífico Equatorial. Em consequência dessa atuação, a temperatura da superfície do mar excedeu três graus centígrados na costa oeste da América do Sul desde abril.

Em relação a setembro último, houve diminuição das anomalias positivas de pressão ao nível do mar na região do Pacífico Sudeste. O Inmet destaca que houve ocorrência de anomalias positivas de temperatura da superfície do mar sobre o oceano Atlântico Norte e anomalias negativas sobre o Atlântico Sul, onde a atividade anticlônica (pressão e depressão) foi intensa pelo terceiro mês consecutivo.

Um exemplo concreto dessas influências para a ocorrência de chuvas, segundo o instituto, é que na primeira quinzena de outubro, a atividade anticlônica na costa leste brasileira foi mais intensa que o observado em setembro. Isso provocou chuvas mais contínuas no litoral da Bahia, e acima da média histórica em parte das Regiões Norte e Sul do país assim como em áreas isoladas no leste do Sudeste, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Esse quadro provocou persistência de massa de ar seco no interior brasileiro. Os valores de umidade relativa do ar estiveram mais críticos em Goiânia (GO), com 13% no dia 9, 13% no dia 10 em Conceição das Alagoas (MG), e 12% no dia 12 em Resende (RJ).

Em relação à ocorrência de queimadas, a tendência para o fim deste mês, janeiro e fevereiro é de poucas áreas críticas no Brasil, em função do período chuvoso no Centro-Oeste e Sudeste e no sul da Amazônia Legal. Os riscos mais críticos de queimadas estão previstos para o norte da Região Nordeste, havendo tendência de queimadas abaixo da média no norte da Região Norte, especialmente em Roraima e no norte do Pará, em função da previsão de chuvas acima do normal.

 

Rio Madeira vai ganhar sensores para monitorar qualidade da água

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

A partir de 2008, o monitoramento da qualidade das águas do Rio Madeira, em Rondônia, ganhará reforço em função de um trabalho conjunto entre o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) que teve início neste mês. Serão instalados sensores capazes de fazer o acompanhamento permanente de indicadores relativos à poluição das águas, à quantidade de sedimentos e à variação de qualidade ao longo das estações secas e chuvosas.

Ambientalistas estão preocupados com a qualidade das águas do Madeira, após o anúncio das empreiteiras que ficarão responsáveis pela construção da primeira usina do complexo hidrelétrico do rio – Santo Antônio – que deve gerar 3,15 mil megawatts a partir de 2016.

De acordo com o especialista em Recursos Hídricos da ANA, Maurrem Ramon Vieira, a ação conjunta compreende uma segunda etapa, onde os dados coletados irão alimentar o banco de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) da agência, que ficará disponível na internet para atender órgãos de defesa do meio ambiente, de fiscalização, instituições de pesquisa e usuários das águas do Madeira. A estimativa é de que os dados estejam liberados para consulta pública a partir do segundo semestre de 2008.

“A idéia é instalar duas sondas de monitoramento automático de qualidade de água, que vai nos dar informações sobre temperatura, PH, turvidez, condutividade elétrica junto às águas do Madeira, em dois pontos. Essas informações vão permitir o acompanhamento das alterações que poderão vir a ocorrer após o início da construção da hidrelétrica. No Brasil, existem poucas iniciativas com esse nível de informação sobre a qualidade das águas e isso significa que ela é inédita para a região e que vai fornecer um nível e uma densidade de informação sem precedentes para a população”, afirmou.

A chefe da Divisão de Análise Ambiental do Sipam em Porto Velho, Ana Strava, explicou que as águas do Madeira são utilizadas para o abastecimento da cidade e de outras comunidades ribeirinhas. O monitoramento permitirá a ação imediata dos órgãos públicos para proteção da saúde dessa população, estimada em aproximadamente 400 mil habitantes.

“No caso específico do Madeira, há expectativa de que haja uma alteração em todo o fluxo de sedimentos, o que possivelmente vai alterar a formação de ilhas, os processos erosivos e os nutrientes. É importantíssimo que seja feito o acompanhamento anterior e posterior à instalação dos empreendimentos para verificar tais alteracões. A intenção do Sipam é desenvolver esses estudos em parceria com a ANA e depois disponibilizar os resultados para os que decidem e para a sociedade em geral”, acrescentou.

Agência Brasil

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Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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