

Prêmio Nobel da Paz: impulso para o combate às mudanças climáticas
domingo, 14 de outubro de 2007
Categoria(s): Aquecimento global, Desastres ecológicos, NotÃÂcias, Preservação
|-> Publicado por: MaurÃÂcio Machado
Para Lula, Nobel da Paz dará novo impulso no combate às mudanças climáticas
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ontem (13) congratulações aos vencedores do Prêmio Nobel da Paz. Nas mensagens ao ex vice-presidente norte-americano Al Gore a ao presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), Rajendra Pachauri, Lula destaca a relevância de seus trabalhos no sentido de conscientizar o mundo sobre os efeitos das mudanças climáticas.
“O aquecimento global já afeta negativamente o desenvolvimento sustentável e pode colocar em risco as sociedades com graves conseqüências para a paz.”, diz o presidente, nas duas mensagens. Lula avalia que o prêmio dará maior impulso à s pesquisas cientÃficas na área e estimulará governos e sociedade a combater a mudança do clima de maneira justa e eqüitativa.
Na mensagem ao presidente do IPCC, o presidente ressalta que o paÃs sente-se honrado pelo fato de vários especialistas brasileiros contribuÃrem para as avaliações do painel.
Leia, abaixo, na Ãntegra, mensagens enviadas por Lula neste sábado:
Senhor Vice-Presidente Albert Gore,
Aceite as felicitações minhas e do povo brasileiro pela outorga do Prêmio Nobel da Paz de 2007.
O aquecimento global já afeta negativamente as oportunidades de desenvolvimento e pode por em risco as sociedades com graves conseqüências para a paz. Seus esforços para despertar a consciência para os efeitos negativos sobre o meio ambiente dos hábitos insustentáveis de produção e consumo e suas conseqüências para o clima global são uma importante contribuição para a promoção do desenvolvimento sustentável e da paz.
Estou seguro de que o Prêmio Nobel dará renovado impulso à sua mensagem sobre a urgência de se combater a mudança do clima de maneira justa e eqüitativa.
Atenciosamente,
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
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Rajendra Pachauri
Presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC)
Senhor Presidente,
Em meu nome e em nome do povo brasileiro felicito o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) pelo recebimento do Prêmio Nobel da Paz de 2007. Sob sua liderança, o IPCC tem sido uma referência para governos e sociedades sobre as conseqüências do aquecimento global. O Brasil sente-se honrado que vários especialistas brasileiros contribuam para as avaliações do Painel.
O aquecimento global já afeta negativamente o desenvolvimento sustentável e pode colocar em risco as sociedades com graves conseqüências para a paz. Os esforços do Painel para consolidar e divulgar o conhecimento cientÃfico sobre as causas, as conseqüências e as medidas para combater a mudança do clima são uma contribuição inegável para a paz.
Estou certo de que o Prêmio Nobel estimulará os milhares de cientistas que contribuem para o Painel a prosseguirem seu trabalho com renovado Ãmpeto. Estimulará também governantes de todo o mundo renovarem seus esforços para combaterem a mudança do clima de maneira justa e eqüitativa.
Atenciosamente,
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
Cientista premiado defende reforço nas ações para adaptação às mudanças climáticas
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
O Prêmio Nobel da Paz, divulgado esta semana, destacou o trabalho do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, e dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU). Formado por cerca de 3 mil pesquisadores de diversos paÃses, o painel possui nove representantes de instituições sediadas no Brasil.
O pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre faz parte desse grupo. “Participamos diretamente da elaboração do relatório sobre mudanças climáticas divulgado este ano”, lembra Nobre, para quem o trabalho no Brasil teve um retorno imediato e um efeito multiplicador.
“O grau de consciência da população sobre essa questão das mudanças climáticas hoje é muito maior do que há alguns anos e muito disso tem a ver com o trabalho do painel. É isso que tem ajudado a dar credibilidade ao fato de que as mudanças climáticas são algo real, preocupante.”
Para o pesquisador do Inpe, formado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em Meteorologia, o Brasil ainda reluta em tomar medidas na área de adaptação às mudanças climáticas. Essas medidas aumentariam a capacidade das populações mais vulneráveis de conviver com um clima diferente e a sobreviver aos desastres naturais, como secas prolongadas e inundações.
“É mais tarde do que nós imaginávamos. Em outras palavras, as mudanças climáticas já se tornaram irreversÃveis numa grande medida”, alerta Nobre. “É obrigatório que todos os paÃses, principalmente os paÃses em desenvolvimento, tenham uma agenda muito forte em adaptação à mudanças climáticas. E essa agenda polÃtica de adaptação o Brasil demorou muito mais. Ainda reluta um pouco, mas, finalmente, fala desse assunto.”
No que diz respeito à redução nas emissores dos gases causadores do efeito estufa, o pesquisador do Inpe acredita que o Brasil pode assumir a posição de paÃs mais “limpo” do mundo. Para isso, bastaria reduzir os desmatamentos na Amazônia e no Cerrado a Ãndices próximos a zero.
“O Brasil é um dos poucos paÃses que estão numa posição única, que são os paÃses que tem muita eletricidade que vem da água, das hidrelétricas. Tem o maior programa de combustÃveis renováveis do planeta, que é o etanol”, destaca Carlos Nobre.
O cientista também atua na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de NÃvel Superior (Capes) e preside o Comitê CientÃfico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP). “Estamos numa situação invejável de se tornar o paÃs mais limpo do mundo. E certamente, um modelo ao mundo em desenvolvimento de aproveitamento de energias renováveis.”
