Questão ambiental precisa deixar de ser discutida de forma genérica

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Questão ambiental precisa deixar de ser discutida de forma genérica

Questão ambiental precisa deixar de ser discutida de forma genérica, diz Lula

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Ao relembrar as discussões e a participação do Brasil na reunião de cúpula do G8 – grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, ocorrido no Japão na última semana – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (14) que fez questão de ressaltar aos parceiros presidentes a necessidade de a questão ambiental deixar de ser discutida de forma “genérica”.

O presidente destacou, durante o programa semanal de rádio Café com o Presidente, que 64% das florestas brasileiras estão “intocáveis”, enquanto um estudo mostra que dos 28 bilhões de toneladas de gás carbônico emitidas na atmosfera em 2005, os Estados Unidos, sozinhos, foram responsáveis por 21% e a China, por 18%.

De acordo com Lula, o Brasil possui 85% de energia elétrica “limpa”, além de um estoque de 46% de energia renovável. Ele lembrou que o país já usa 25% de etanol na gasolina comercializada e 2% de biodiesel no óleo comercializado.

“E as pessoas não querem discutir números. Eu quero discutir números, porque o Brasil, neste aspecto, é um dos países que menos polui. Os países que estão se industrializando agora têm menos responsabilidade. Senão, fica um debate genérico, os ricos tentando jogar a culpa em cima dos pobres, dizendo que os biocombustíveis são responsáveis pelo preço dos alimentos e pela poluição.”

A segurança alimentar, segundo Lula, também é discutida genericamente pelos líderes do G8. Ele acredita em uma “especulação do alimento” e, ao rebater as acusações que recaem sobre os biocombustíveis, questionou qual o real custo do petróleo nos preços dos alimentos.

Lula comentou ainda a recém-aprovada lei de imigração européia e destacou que “coisas que são do interesse do Brasil e de outros países mais pobres” também deveriam ter entrado na pauta de discussões da cúpula. Segundo ele, a União Européia tem aprovado, cada vez mais, leis que dificultam a vida dos imigrantes pobres.

“Fiz questão de dizer pra eles [líderes de Estado] que quero que os brasileiros tenham, no exterior, o tratamento que nós damos aqui aos estrangeiros. O que nós queremos é que os brasileiros lá fora sejam tratados com respeito, levando em conta a questão dos direitos humanos, e não tratados como se fossem delinqüentes.”

 

Inpe vai divulgar dados de desmatamento mensal acompanhados de análise

Luana Lourenço
Enviada Especial

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) decidiu responder com dados às críticas e aos questionamentos sobre a credibilidade da medição mensal do desmatamento da Amazônia pelo Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter). Depois de três semanas de atraso, o instituto divulgará amanhã (15) o total de áreas devastadas registrado no mês de maio e, desta vez, os dados do satélite serão acompanhados de informações detalhadas sobre os registros de devastação da floresta.

“O Inpe irá divulgar os números em conjunto com uma análise estática do desempenho dos dados e medir os diversos tipos de desmatamento: tanto aquilo que chamamos de corte raso, remoção total da floresta, quanto à remoção parcial, que o Inpe chama de desmatamento progressivo, porque é algo que está em andamento”, adiantou hoje (14) o diretor do instituto, Gilberto Câmara.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou, há cerca de duas semanas, que a apresentação dos dados estava pendente a pedido da Casa Civil.

A análise vai resultar em informações cerca de 60 vezes mais detalhadas sobre alertas de desmatamento, segundo Câmara. “O Deter não muda, a metodologia não muda, o que vamos fazer é fornecer informação adicional, que é a qualificação desses dados”, acrescentou.

A mudança na forma de divulgação dos dados do Deter é uma resposta aos críticos da metodologia adotada pelo Inpe para alertas de desmatamento. “Se alguém tem duvidas sobre o dado cientifico, é obrigação da instituição cientifica responder. Não é novidade que um resultado cientifico seja contestado: Galileu foi contestado, Pasteur foi contestado, Einstein também. O cientista tem que usar essas críticas e contestações como fonte de força, de indicações para o que precisa melhorar. Essa é nossa atitude “, apontou Câmara.

Os governadores de Mato Grosso, Blairo Maggi, e de Rondônia, Ivo Cassol, já questionaram publicamente os dados do Inpe e chegaram a pedir revisão dos números de desmatamento medidos para tais estados.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, afirmou que a finalidade da qualificação dos dados é justamente evitar guerra de números e o uso político das informações. “O dado técnico passou a ser utilizado para controvérsias políticas. A partir de agora serão divulgados pelo Inpe, em São José dos Campos, e não por Brasília, não por outros ministérios”, anunciou.

Rezende e o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, participam da 60° Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O encontro foi aberto ontem (13) e até sexta-feira (18) deve reunir cerca de 15 mil pessoas, entre cientistas, pesquisadores, estudantes e visitantes.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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