Retratos científicos numéricos do aquecimento global

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Retratos científicos numéricos do aquecimento global

Na região do Mediterrâneo, que inclui territórios de Europa, África e Oriente Médio, em que já ocorrerem desastrosas ondas de calor, fenômeno caracterizado pelo repentino aumento da temperatura durante alguns dias, como as de 2003 que registrou 18 mil mortes, sendo aproximadamente 15 mil na França e 3 mil na Itália, podem passar a ocorrer com mais freqüência, elevando o número de dias perigosamente quentes de 200% a 500%, caso continue a descontrolada emissão de gases responsáveis pela intensificação do efeito estufa e conseqüentemente aumentando a temperatura. Se metas de redução passarem a ser atingidas, tornaria 50% menos intensos os dias perigosamente quentes, analisando simulações climáticas abrangendo o período até 2099. Os dados numéricos são de uma análise realizada por um grupo de pesquisadores, que foi publicada na revista Geophysical Research Letters.

Podemos estabelecer como comparação, fazendo uma análise em que os dias de calor mais intensos nos verões atuais equiparar-se-ão aos dias mais amenos dos verões previstos para um futuro próximo. Está comprovado com base neste recente estudo, dados alarmantes sobre o resultado da intensificação do aquecimento global. Talvez daqui alguns anos, continuando as projeções para ocorrer até um aumento na degradação do planeta, isto inclui emissão de gases poluentes, desmatamento e poluições em territórios tanto aquáticos como terrestres, iremos ver novas pesquisas informando que estas ondas de calor estarão ocorrendo na América do Sul, por exemplo, pois de momento ainda não é atingido por este fenômeno, mas não é isolado do aquecimento global já que é influenciado diretamente pelo aumento da temperatura, não de maneira repentina, mas de forma constante. Se não aceitam isto como uma projeção realista, então comparem aos fenômenos como seca na Amazônia, tufão passando pela região Sul, entre outros que não eram imaginados que fossem ocorrer nestes locais.

Ilustração do deslocamento de pessoas devido a secaEnfim, moradores do Brasil não se sintam “tristes”, pois aqui já ocorrem outros fenômenos relacionados a catástrofes ambientais, de maneira já intensa e que pode se agravar ainda mais. Vamos falar da desertificação, um problema agravado pelas mudanças climáticas, mas que pode ser causado por outros fatores de ação humana como o uso incontrolado da terra para cultivos e pastagens, desmatamento e pouca irrigação, transformando terras férteis em desertos, tornando-as improdutivas.

A América do Sul pode perder até um quinto de suas terras produtivas até 2025, de acordo com informações da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, sigla em inglês), que as divulgou hoje (sexta-feira), dois dias antes do Dia Mundial da ONU para o Combate à Desertificação, que terá como campanha a ligação entre a desertificação e o aquecimento global.

Esta ligação trata-se do ciclo em que um fenômeno alimenta o outro, pois se o meio ambiente é degradado com desmatamento e erosão, os reservatórios de água diminuem, aumentando as áreas desertas e por sua vez, essas terras degradadas influenciam no clima, impedindo a formação de chuvas e aumentando ainda mais a desertificação.

Atualmente 1,5 milhão de km² do território brasileiro são compostos de áreas semi-áridas onde abrigam 40 milhões de pessoas e na Argentina, que tem território de 3 milhões de km², apresenta 1,75 milhão de Km² coberto pelo deserto. Se até 2050 a temperatura do planeta subir 6 graus, a área semi-árida do nordeste pode aumentar mais um milhão de quilômetros quadrados, e o quadro social nesta região irá se agravar já que passará a abranger mais pessoas e com uma seca ainda mais intensa. O processo de desertificação já começou na Amazônia, que já sofre com os efeitos da seca.

Além de todo agravamento no quadro social, as perdas econômicas provocadas pela desertificação em toda América Latina são inevitáveis, já que terras onde muito se produzia se tornarão inutilizadas, prejuízos que podem atingir US$ 20 bilhões por ano, sendo uma perda de US$ 5 bilhões apenas no Brasil. E isto não pára na América Latina, a desertificação deve atingir cerca de 30% das terras do planeta, que abrigam cerca de 1,2 bilhão de pessoas, com base em estimativa da ONU.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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