Reunião do G8: preocupações do grupo continuam as mesmas

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Reunião do G8: preocupações do grupo continuam as mesmas

Lula deve cobrar de nações ricas que diminuam especulação com alimentos

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja no final da tarde de hoje (6) para o Japão, onde irá participar, como convidado, da reunião do G8 – grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia -, que começa amanhã (7), em Sapporo, norte do país.

O presidente, além de defender o etanol e o biodiesel brasileiros, com o argumento de que os biocombustíveis não são responsáveis pelo alta mundial no preço dos alimentos, deve ainda cobrar das nações ricas que diminuam as especulações em relação aos mercados que negociam safras futuras agrícolas e o petróleo, que, segundo Lula, é um dos fatores responsável pela alta da inflação dos alimentos.

No lançamento do Plano Safra para o agronegócio, no dia 2 de julho, em Curitiba, o presidente avisou que iria colocar os temas na mesa de discussão do G8.

“Os bancos que perderam dinheiro na especulação imobiliária estão agora tentando ganhar dinheiro especulando com o alimento e com o petróleo. É esse discurso que eu pretendo preparar para levar na semana que vem no G8”, disse Lula, que junto com seus colegas do Brics (grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do G5 (Brasil, Índia, China, África do Sul e México) debaterão com as potências econômicas.

O presidente Lula determinou ao Ministério da Fazenda a elaboração de um estudo sobre os efeitos dessa especulação.

“Saímos de US$ 13 bilhões para US$ 260 bilhões de compras no mercado futuro de alimentos, e até pedi para que o Ministro da Fazenda [Guido Mantega] juntasse uma equipe de pessoas, chamasse o Reinhold [Stephannes, ministro da Agricultura], para a gente ver quais os efeitos disso no preço dos produtos hoje”, disse o presidente.

Depois do G8, Lula visitará o Vietnã, o Timor Leste e a Indonésia.

 

Temas da reunião do G8 mostram que preocupações do grupo continuam as mesmas

Mylena Fiori
Enviada especial

As preocupações dos sete países mais industrializados do mundo e da Rússia seguem têm sido as mesas dos últimos anos. O menu da cúpula do G8, que começa amanhã (7) na ilha de Hokkaido, no Japão, contém quatro temas macro: meio ambiente e mudanças climáticas, desenvolvimento e África, economia global e questões de política internacional, como o regime de não-proliferação de armas.

Na área ambiental, o Japão – que ocupa a presidência rotativa do grupo e propôs as questões para a reunião anual – pretende focar as discussões no regime de emissões de gases do efeito estufa pós-Kioto, em negociação no âmbito das Nações Unidas. Deve entrar em pauta proposta feita na reunião do ano passado, na Alemanha, entre Japão, Canadá e União Européia na qual os os três defenderam a redução de 50% das emissões até 2050.

Em relação à África, o objetivo é mobilizar conhecimento e recursos da comunidade internacional, de forma a ajudar no desenvolvimento do continente e permitir que a região alcance as metas de desenvolvimento do milênio. A África integra a agenda do G8 desde o final da década de 90 e passou a participar como convidada, em reunião paralela, na cúpula do ano 2000.

As discussões sobre economia global serão focadas no crescimento sustentado da economia mundial. Outras questões em debate são investimentos, comércio, proteção da propriedade intelectual, economias emergentes e recursos naturais.

No âmbito político, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia darão ênfase ao fortalecimento do Regime de Não-Proliferação. Preocupa particularmente ao grupo de poderosos os programas nucleares da Coréia do Norte e Irã. A pauta política também incluirá a luta contra o terrorismo e questões regionais.

A articulação de posições entre as grandes potências sobre temas globais teve início nos anos 70. O cenário de desvalorização do dólar e a primeira grande crise do petróleo foram decisivos para a criação de um fórum para coordenação de políticas econômicas em áreas como macroeconomia, câmbio, comércio e energia. Aos poucos, foram sendo incorporados à agenda temas políticos, como a guerra fria e as relações Norte-Sul, e questões como meio ambiente, combate ao terrorismo, e prevenção à aids.

A primeira reunião foi em 1975, por iniciativa francesa e os encontros passaram a ser anuais, sempre sob a presidência rotativa de um dos países do grupo inicialmente integrado por Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e Japão. O Canadá entrou no ano seguinte e a Rússia, em 1998.

Mesmo sem qualquer poder de interferência, desde o fim da Guerra Fria outros países do mundo são convidados a participar das chamadas reuniões ampliadas do G8. Desde 2005, em Gleanegles, Brasil, China, Índia, África do Sul e México formam o grupo de convidados fixos chamado de G5. Cansadas do papel de figurante de luxo, as cinco potências emergentes reivindicam a participação nas reuniões decisórias do G8.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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