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Rio de Janeiro: Após incêndio controlado, criação de uma “fazenda marinha”

Domingo, 16 de Setembro de 2007
Categoria(s): Desastres ecológicos, Notí­cias, Preservação
|-> Publicado por: Maurí­cio Machado

Bombeiros controlam incêndio que atingia Mata Atlântica no estado do Rio

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil

Equipes de bombeiros conseguiram controlar hoje (16) o incêndio que estava queimando, desde a última quarta-feira (12), cerca de 40 hectares de Mata Atlântica no Parque Estadual dos Três Picos, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

Durante cinco dias, cerca de 30 homens, apoiados por dois aviões, combateram as chamas na área que já havia sido atingida por um incêndio em 2002, quando o parque foi criado, e estava sendo recuperada. Além de queimar a vegetação, o fogo destruiu ninhos de pássaros e causou a morte de roedores e cobras.

Segundo Flávio Luís de Castro, chefe da Divisão de Gestão de Unidades de Conservação do Instituto Estadual de Florestas (IEF), embora a área queimada seja pequena em relação ao tamanho do parque (46.350 hectares), a perda foi grande pois atingiu a flora que estava em fase de regeneração.

“A recuperação na Mata Atlântica é muito lenta e no momento que você está com cinco anos de regeneração, volta outro incêndio na mesma área. A gente não tem idéia de tempo, mas vai demorar agora. Cada vez que queima, há invasão de outras espécies que não são as nativas, então fica mais complicado de trazê-la para o original da Mata Atlântica”.

De acordo com Castro, embora não tenha sido concluída a perícia realizada no local, a maior probabilidade é de que o acidente tenha sido causado por velas acesas na beira da estrada em rituais religiosos. “As velas devem ter tombado, queimando uma área de capim e dali o fogo passou para a floresta”.

A previsão do gestor ambiental é de que o incêndio seja extinto até o fim da tarde de hoje. “Os pontos que ainda estão quentes, estão dentro da área queimada. Não tem mais nada encostado na área verde, então não tem mais o que queimar. Estamos fazendo um trabalho de resfriamento dessa área e até o final da tarde a gente consegue extinguir completamente o incêndio”, afirmou.

Litoral do Rio ganha fazenda marinha que criará molusco capaz de constatar poluição no mar

Luiza Duarte
Da Agência Brasil

O Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande(IED-BIG) inaugura amanhã (17) uma fazenda marinha de criação de um tipo de molusco capaz de constatar poluição no mar. É a coquille Saint-Jacques, ou vieira, um espécie nativa da costa brasileira.

A fazenda fica em frente à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, litoral sul fluminense, e faz parte do Projeto de Repovoamento Marinho da Baía da Ilha Grande, da Eletronuclear e da Petrobras, que já conta com cerca de 40 outras áreas de produção do molusco e pretende incentivar a maricultura na região.

A coquille Saint-Jacques funciona como um bioindicador, ou seja, por intermédio dela, é possível identificar qualquer alteração nas condições do mar, como a presença de poluentes. O molusco, que quase foi existo em meados dos anos 90, precisa de um mar livre de poluição para se desenvolver.

De acordo com o diretor executivo do IED-BIG, José Luiz Zaganelli, a criação de uma fazenda marinha em frente à central nuclear permite que os pesquisadores monitorem o impacto da usina na região e desperta a consciência ecológica dos moradores.

“A coquille Saint-Jacques, como todo molusco, é um bioindicador - é possível, a qualquer momento, fazer uma análise química do animal e identificar se ele tem alguma contaminação. Se tiver alguma poluição na região, ele vai acusar. Ele é chamado de sentinela do mar”, disse Zaganelli.

A iniciativa fornece aos pescadores da região toda a infra-estrutura e suporte técnico necessários para a produção do animal, gerando emprego e renda. Segundo o diretor do projeto, as fazendas marinhas são um negócio lucrativo e não poluente, que agregam desenvolvimento econômico, social e científico.O laboratório do projeto produz anualmente 13 milhões de filhotes do molusco. Em idade adulta, a dúzia do animal chega a ser comercializada a R$ 30.

O projeto, que começou na Ilha Grande, atualmente já existe em sete estados brasileiros. Cerca de 500 famílias são beneficiadas pelo cultivo do molusco e 7 mil pessoas já foram capacitadas em cursos do projeto.

Agência Brasil

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