Seguro ambiental: um novo segmento do mercado

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Seguro ambiental: um novo segmento do mercado

Com a crescente necessidade de se preservar o meio ambiente, perante toda degradação descontrolada que o planeta sofreu nos últimos anos, surge uma nova idéia, ou melhor, um novo negócio: seguro ambiental. Trata-se de um sistema que pode ser contratado por empresas que têm probabilidades de causar danos ao meio ambiente, e então o seguro de risco ambiental irá cobrir estes danos.

O sistema foi criado pela Unibanco AIG, empresa americana pioneira no ramo que lançou seu serviço há cerca de dois anos e já conta com 15 empresas que são geralmente do setor petroquímico, petróleo ou químico que contrataram o seguro para riscos ambientais. Ainda há algumas metalúrgicas e até uma editora que decidiu contratar o seguro devido aos riscos que a gráfica possa trazer ao meio ambiente como desmatamento para retirar matéria-prima ou todo papel que não fosse reciclado.

Para, Ney Ferraz Dias, diretor da seguradora, o número ainda é muito pequeno analisando todo potencial do mercado, mas por estar iniciando o segmento, já é um bom número. Conquistando 80% dos prêmios mundiais, que somam 3 bilhões de dólares, a AIG é a líder deste segmento.

Segundo Mauro Dias, da corretora Marsh, que ajudou a desenvolver o projeto junto com a AIG, vê no mercado uma movimentação no setor de outras seguradoras que desejam entrar neste mercado, porém com apólices diferentes da AIG.

Outro novo negócio, fruto da preocupação ambiental, é denominado “seguro para usinas de biocombustíveis”, visando lucrar com a crescente demanda pelo etanol em projeções próximas. A companhia Tokio Marine que já é conhecida pela forte atuação sobre grandes riscos industriais, é a responsável por este novo sistema e já tem apólices de três usinas de biocombustíveis e está negociando atualmente com outras duas.

As usinas seguradas pela Tokio estão distribuídas por todo país, incluindo no Rio Grande do Norte, Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Segundo Alexandro Sanxes, gerente da área de riscos da engenharia da Tokio, a preocupação com maior geração de energias alternativas está aumentado o tamanho das usinas. As primeiras usinas seguradas pela Tokio não passavam dos R$ 20 milhões e agora chegam até a R$ 150 milhões.

O seguro cobre risco de engenharia que inclui a instalação e montagem de equipamento de uma planta industrial e com o principal diferencial em relação ao preço, que segundo Sanxes, a empresa fez uma taxação própria.

Há também o inovador “seguro para florestas cultivadas”, desenvolvido pelo grupo alemão AGF e tem como meta desembolsar pagamentos aos clientes que contrataram o serviço quando ocorrer alguma perda nas áreas registradas, em decorrência de chuva excessiva, ventos fortes ou inundação.

De acordo com um recente relatório de uma das maiores resseguradoras do mundo, a Munich Re, afirma que com o aquecimento global pode aumentar a ocorrência de fenômenos como maremotos e ciclones em todo mundo iniciando ainda este ano e com isso a companhia se prepara para um expressivo aumento na demanda deste tipo de cobertura, que necessitará de sofisticação no sistema e melhoras nas formas de avaliação dos danos causados.

De fato, é um dado real que não foi feito com objetivo de a resseguradora publicar informações para vender seus serviços, e sim exposto a realidade, que sem dúvida, com a intensificação do aquecimento global catástrofes como as citadas tendem-se a ampliar. Outro dado importante é a perda avaliada no ano passado, oriundas de catástrofes naturais, que foi registrado um total de 50 bilhões de dólares em todo mundo, sendo que apenas US$ 15 bilhões estavam segurados.

A empresa UBF Garantias tem em vista boas oportunidades no novo ramo de seguros com as mudanças climáticas. Segundo Luiz Alberto Pestana, diretor da empresa, analisa que não é prevista uma grande abertura de novas empresas neste segmento e sim uma ampliação das empresas já existentes, mas adaptadas para o segmento como as usinas de energia limpa e renovável.

Além da importância de uma empresa estar assegurada contra danos originados de catástrofes ambientais, como é extremamente importante a preocupação com o meio ambiente, ter um seguro ambiental passou a contar pontos extras para as empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O seguro também é importante para empresas com interesse em fazer parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que no formulário uma das questões é sobre o tipo de apólice da empresa e se cobre danos ambientais.

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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