Situação do desmatamento no Mato Grosso e na Amazônia

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Situação do desmatamento no Mato Grosso e na Amazônia

Representantes do governo avaliam desmatamento em Mato Grosso

Agência Brasil

Para verificar o desmatamento no centro-norte de Mato Grosso, os ministros Marina Silva, do Meio Ambiente, Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, Tarso Genro, da Justiça, Enzo Martins, interino da Defesa, e o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Silas Ribeiro, fazem hoje (30) um sobrevôo na região.

Está prevista também a presença do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, além de representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Casa Civil, Polícia Federal e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A comitiva deixa Brasília às 7h e desce na Base Aérea da Serra do Cachimbo, onde embarca em helicóptero para sobrevoar a área. Inicialmente, faz uma parada no município de Macelândia, onde o governador Blairo Maggi se integra à comitiva. Depois do sobrevôo, todos se reunirão no município de Sinop.

 

Ministros e governador do MT sobrevoam município campeão de desmatamento

Carina Dourado
Repórter da TV Brasil

Os ministros do Meio Ambiente, Marina Silva, da Justiça, Tarso Genro, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, fizeram hoje (30) uma reunião fechada no município de Sinop (MT), com o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi. Os ministros e autoridades também fizeram um sobrevôo na região centro-norte do Mato Grosso para saber como está a situação de Marcelândia (MT), o município que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O teor da conversa, no entanto, não foi divulgado. Também participaram do encontro o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, e representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Inpe.

Desde o início da semana, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, tem questionado os dados do Inpe. O Inpe admitiu que imprecisões no Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter). Os dados, segundo o órgão, serão checados durante o sobrevôo.

Na semana passada, durante a divulgação dos números do desmatamento na Amazônia, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Gilberto Câmara, os dados preliminares não refletem a totalidade da devastação ocorrida na região. Segundo ele, a diferença entre o Deter e o Prodes, sistema de imagens de satélite mais minucioso e que divulga resultados anuais, chega a 40%.

Para o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a devastação real na Amazônia pode chegar a 7 mil quilômetros quadrados, mais que o dobro dos 3.235 quilômetros quadrados detectados pelo Deter.

 

Após sobrevôo, Marina Silva diz que desmatamento em Mato Grosso é preocupante

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o sobrevôo feito hoje (30) pela região de Marcelândia (MT) – município da Amazônia que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – provou que a situação do desmatamento na região é “preocupante”.

Mais uma vez, a ministra evitou responsabilizar diretamente produtores de soja ou pecuaristas pela devastação da floresta, mas voltou a repetir “que não acredita em coincidências”, em referência ao aumento do desmatamento após a valorização dos preços das commodities (produtos agropecuários) no mercado internacional.

“São regiões de dinâmica econômica significativa de atividade agropecuária e de exploração irregular de madeira. Não é apenas uma ação esporádica de uma ou duas pessoas; existe uma dinâmica econômica na região, uma disputa em converter recursos naturais para atividades econômicas”, acrescentou.

Sobre a precisão dos números do Inpe que mostraram o avanço do desmatamento entre os meses de agosto e dezembro, a ministra afirmou que os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) são utilizados para ” orientar o processo de fiscalização” e que a consolidação dos dados é feita por outra metodologia, o Prodes.

“Em nenhum momento foi dito que o Deter se presta a indicar taxa de desmatamento, ele é um sistema para as ações de comando e controle e de fiscalização e são feitas projeções. O governo trabalha com dados oficiais em termos de taxas, quando são divulgados os dados do Prodes, após um trabalho rigoroso em cima de cada imagem”, afirmou Marina.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, que também participou do sobrevôo, anunciou o início de uma força tarefa da Polícia Federal nas regiões de maior desmatamento a partir de 20 de fevereiro. Segundo o ministro, a devastação da floresta é causada por uma sucessão de atos criminosos. “A PF incide sobre [investiga] essa cadeia, verificando se ela está integrada, se há um planejamento centralizado, de um grupo organizado, ou se é uma sucessão de atos delitosos”, adiantou.

 

Cientistas iniciam projeto de monitoramento atmosférico da floresta amazônica

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Um projeto internacional, desenvolvido em parceria por cientistas brasileiros, norte-americanos, alemães e suecos, dá início, nesta semana, ao monitoramento atmosférico da floresta amazônica. Está prevista a construção de duas bases na floresta, em áreas pertencentes ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), uma das instituições envolvidas na ação.

Aproximadamente 30 toneladas de equipamentos serão utilizados na construção de estações que irão mostrar como a região interfere nas mudanças climáticas globais e nos processos biológicos, químicos e físicos responsáveis pela emissão de gases que regulam o ciclo hidrológico na Amazônia. As estações funcionarão, inicialmente, por um período de dois anos.

Segundo o pesquisador do Núcleo de Modelagem Climática e Ambiental do Inpa, Teotônio Pauliqueves, as estações serão capazes de caracterizar, do ponto de vista físico e químico, as partículas em suspensão na atmosfera, ou seja, a poeira e a fuligem geradas pelos carros e a fumaça de queimadas, por exemplo. Com isso, será possível entender as diferenças existentes entre uma região natural – sem influência de emissões de poluentes – e uma região poluída, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.

“Hoje existe um grande esforço mundial no sentido de contabilizar o efeito dessas partículas nas mudanças climáticas futuras, porque elas interagem com o clima por meio da luz solar e das nuvens, por exemplo. O clima da terra é todo interligado e, por isso, essa pesquisa será importante”, afirmou Poliqueves, ressaltando que as partículas de aerossol também participam do balanço radiativo, da formação de nuvens e da química atmosférica.

A primeira base de monitoramento está instalada na Estação Experimental de Silvicultura Tropical, no km 44 da BR-174, e a segunda, no sítio Experimental do Programa Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), no km 50 da BR-174, ambos do Inpa.

Os equipamentos pertencem às instituições parceiras e entraram no Brasil por um processo de importação temporária que permite a utilização conjunta pelos cientistas envolvidos. “Todos os dados coletados na floresta serão compartilhados por todos os cientistas. Eles poderão usar os dados que vamos medir, assim como vamos usar os dados experimentais de nossos parceiros também. Cada um com seu foco principal, com sua pergunta científica”, informou.

Perguntado sobre a segurança no compartilhamento das informações, Poliqueves disse que não há motivo para preocupação, porque não haverá dados estratégicos. Além disso, por serem coletados com dinheiro público, os dados também serão públicos. “Não há por que temer isso. Não é o tipo de coisa que tem influência direta no desenvolvimento do país. Isso é estratégico para entendermos o clima e a influência da Amazônia no clima mundial, que não é pequena. Conhecer a floresta amazônica, nesse modo de ciência básica, não tem problema nenhum”, destacou.

Também participam do experimento o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Universidade de São Paulo (USP). Terminadas as atividades de monitoramento, serão realizadas reuniões científicas e conferências para discussão, consolidação e organização dos dados coletados. “Esse é um trabalho coletivo, que começa depois que o experimento acaba. Não basta gerar o dado, tem que analisar, refletir, pensar sobre o tipo de medida que se fez e cruzar esses dados”, concluiu Poliqueves.

 

Estudo relaciona aumento do desmatamento com créditos financeiros

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Após avaliar durante quatro anos o crescimento da pecuária na região amazônica e a sua relação com os financiamentos concedidos pelo Banco da Amazônia (Basa), o pesquisador sênior do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Paulo Barreto chegou à conclusão de que as facilidades de crédito podem ter influenciado no crescimento do desmatamento na região.

“Esse dinheiro que vai para a pecuária, pela legislação, não deveria ser utilizado para desmatamento de novas áreas. Porém, como é um dinheiro subsidiado, tem uma tendência que ele leve ao aumento dessas atividades mais do que o normal”, explica Barreto.

De acordo com o pesquisador, de 2003 a 2007 o banco destinou R$ 1,9 bilhão em 14 mil contratos de empréstimos para os estados da Amazônia. “É muito dinheiro”, diz. Ele também ressalta os baixos juros cobrados no empréstimo: de 1% a 4% para pequenos produtores, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e de 5% a 9% para produtores rurais não-familiares. Os recursos vêm do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO).

O FNO foi estabelecido na Constituição Federal de 1988 para o desenvolvimento econômico e social da Região Norte, em bases sustentáveis. “A idéia é ter taxas de juros mais baratas para favorecer o desenvolvimento dessas regiões. Só que, no caso da pecuária, em que há um grande interesse, o fundo indiretamente tem causado o desmatamento”, avalia Barreto.

Segundo o pesquisador, para que esse dinheiro contribuísse para o desenvolvimento da região sem causar desmatamento, os recursos teriam de ser destinados a áreas de conservação e à produção sustentável de madeira. Ele também defende que os empréstimos deixem de ser concedidos à pecuária na região e diz que é necessário maior controle da ocupação ilegal de terras públicas na Amazônia.

Para o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adoniran Peraci, não existe uma relação entre o incremento do Pronaf na região amazônica e o aumento do desmatamento. Segundo ele, a devastação caiu 59% na região nos últimos três anos e aumentou em 2007, enquanto o número de contratos do Pronaf cresceu 26% entre 2005 e 2006 e caiu 40% em 2007.

“Os anos em que o Pronaf aumentou foram os anos em que ocorreu uma diminuição maior do desmatamento”, afirma. Peraci lembra também que todos os créditos do Pronaf só podem ser liberados após licenciamento ambiental.

O Banco da Amazônia não se manifestou sobre o assunto.

 

Lula quer aplicação da lei para barrar desmatamento da Amazônia

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (30) a aplicação da legislação para barrar o aumento do desmatamento da Amazônia, classificado por ele como “preocupante”. Lula ressaltou que não é necessário desflorestar para aumentar as plantações de soja e cana-de-açúcar ou as criações de gado.

“Quando alguém tenta cometer ilegalidade, nós temos que utilizar a lei contra essa gente. Nós não podemos ser condescendentes. O ministro da Agricultura prova todo santo dia para mim que para manter a produção e a criação de gado, hoje, você não precisa derrubar um pé de árvore. O Brasil tem terra já degradada que dá para a gente plantar quanta soja a gente quiser, quanta cana a gente quiser e criar quanto gado nós quisermos”, afirmou, após participar da inauguração da reforma da Agência Central dos Correios.

Lula disse, no entanto, que o desmatamento registrado é uma “coceira”, que está sob controle e ainda não pode ser considerado uma doença grave: “A notícia é uma notícia preocupante. É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais grave. Por enquanto, nós temos todas as condições de controlar, de saber quem são as pessoas [que desflorestam].”

O presidente ainda ressaltou que o desmatamento registrado no primeiro trimestre de 2007 foi comparado com o mesmo período de 2006, quando o desflorestamento foi muito menor. “Como em 2006 tinha caído muito, 2007 apresentou um acréscimo no desmatamento no Brasil. O que há é um sinal de que cresceu. Nós temos o ano inteiro para brecar”, disse.

Lula admitiu que possam estar faltando equipamentos e pessoal para a fiscalização, de responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na região da floresta: “É por isso que eu acho não cabe só ao Ibama fazer toda a fiscalização; é importante que a gente construa parcerias com os prefeitos, é importante que a gente construa parceria com os governadores e, sobretudo, com a sociedade civil.”

E disse ter determinado “que a ministra Marina [Silva, do Meio Ambiente], o ministro da Agricultura [Reinhold Stephanes] e o da Justiça [Tarso Genro] fosse in loco visitar [os locais de maior desmatamento], porque nós sabemos quais são as cidades, sabemos quais são os estados e eu estou convocando os governadores de estado da região, os prefeitos das principais cidades para que a gente possa em conjunto entender que diminuir o desmatamento é bom para o Brasil”.

Agência Brasil

Sobre

Maurí­cio MachadoBiólogo e ambientalista, responsável pelo projeto AMAnatureza e articulista com fundamentos e conhecimento para discutir assuntos voltados ao meio ambiente com uma visão crítica, analisando o tema de maneira radical e completa.Ver todas as publicações de Maurí­cio Machado »

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