

Sustentabilidade referente aos recursos hídricos
Domingo, 15 de Junho de 2008
Categoria(s): Auto-suficiência, Desenvolvimento sustentável, Meio Ambiente, Notícias, Preservação, Recursos naturais
|-> Publicado por: Maurício Machado
Brasil participa de debate internacional sobre uso sustentável da água
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
A participação na Exposição Internacional Água e Desenvolvimento Sustentável (Expo Zaragoza 2008) será decisiva para a disputa do Brasil pelos recursos de um fundo criado pelos europeus para incentivar o uso racional e a melhoria na gestão dos recursos hídricos na América Latina. A avaliação foi feita pelo comissário-geral do Brasil na feira, João Bosco Senra, ao comentar a importância do encontro aberto ontem (14), na cidade espanhola de Zaragoza.
A mostra reúne, até o dia 14 de setembro, representantes de 107 países que vão discutir novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável e inovações na gestão de recursos hídricos. Hoje (15) toda a programação é voltada ao Brasil. Um dos destaques é a apresentação da Política Nacional de Recursos Hídricos pelo diretor presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), José Machado, que representa o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, Expo Zaragoza 2008.
Segundo Senra, que também é diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, o fundo europeu irá doar a países sul-americanos, ainda este ano, pelo menos 1,5 bilhão de euros para o custeio de projetos, principalmente, de abastecimento de água na zona rural.
Ele informou que a distribuição dos recursos, a serem aplicados até 2012, começa a ser definida no segundo semestre deste ano e o Brasil já começou a apresentar suas propostas. Entre elas, projetos de criação de cisternas no Nordeste, de dessalinização de água para o Semi-Árido, de abastecimento de água em comunidades indígenas e em escolas e assentamentos rurais.
De acordo com Senra, a apresentação, na feira, das experiências e dos avanços a partir da criação da Política Nacional de Recursos Hídricos, em 1997, pode ser uma credencial para a aprovação de projetos brasileiros.
“Mostrar essas experiências de sucesso, esse esforço que o governo vem fazendo, será decisivo para que o Brasil possa ter uma participação maior nesses recursos.”
Para o diretor, um dos avanços mais relevantes, depois de onze anos da política de recursos hídricos, é a participação social, pois, segundo ele, o país tem hoje cerca de 15 mil pessoas atuantes nos comitês de bacias hidrográficas e nos conselhos estaduais e nacional de recursos hídricos, instituídos como instâncias de decisão sobre a destinação da água.
Em entrevista à Agência Brasil, Senra disse que há uma grande expectativa sobre a participação brasileira na Expo Zaragoza 2008, não só porque o país é o participante com maior volume de água doce no planeta - cerca de 12% do total - como também pela sua posição referente a políticas de gestão do recurso e pela capacidade técnica desenvolvida nessa área.
“O Brasil é referência na política de gestão de águas. Foi o primeiro país da América a ter a um Plano Nacional de Recursos Hídricos. Uma medida que está nas Metas do Milênio da Organização Nações Unidas”, destacou.
O país também tem um estande com exposições interativas sobre as bacias Amazônica, do Prata e do Rio São Francisco. Hoje, além do debate sobre experiências na área de recursos hídricos, estão ocorrendo shows musicais e apresentação de grupos folclóricos brasileiros.
Pressão internacional sobre Amazônia desvia foco da sustentabilidade, diz diretor da ANA
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
O desmatamento e a Floresta Amazônica têm uma grande visibilidade global que acaba pressionando, muitas vezes, o governo a dar uma atenção exagerada a essas temáticas em detrimento de outros assuntos importantes para a sustentabilidade do país, como o uso dos recursos hídricos.
A opinião é do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, que apresentou ontem (14) na Exposição Internacional Água e Desenvolvimento Sustentável, na cidade espanhola de Zaragoza, as principais ações da Política Brasileira de Recursos Hídricos.
“A priorização da preservação amazônica é necessária, não há dúvidas sobre isso, mas também acho importante ter uma pauta mais diversificada, e a questão da água me parece que precisa ter uma proeminência maior na agenda nacional”, afirmou o diretor , em entrevista à Agência Brasil.
Para Machado, o país poderia obter ganhos substanciais se usasse estrategicamente a grande disponibilidade de água, com a gestão do recurso de forma sustentável.
“O Brasil tem de fazer uma gestão eficiente da água e com isso galgar o desenvolvimento em função da sua disponibilidade do recurso. Essa é uma vantagem comparativa que o Brasil tem e precisa ver isso como oportunidade”, defendeu.
O diretor apontou como exemplo o uso da irrigação. O Brasil usa atualmente apenas 10% da potencialidade dessa técnica. De acordo com Machado, a aplicação moderna e inteligente da prática irrigatória poderia aumentar a produção agrícola em várias regiões do país, pois permitiria a colheita de duas safras anuais, em vez de uma.
Ele destacou também que a Política Nacional de Irrigação já tramita no Congresso Nacional e há tecnologias e instituições de pesquisa suficientes para uma gestão eficiente das águas, mas o assunto precisa ser incluído em um planejamento estratégico do país.

